Título: Mulheres se tronam alvo de violência
Autor: Menezes, Maiá
Fonte: O Globo, 06/12/2006, O País, p. 16
Índice de vítimas do sexo feminino cresce 17% em 15 anos
As mulheres jovens, entre 15 e 24 anos, se tornaram, nos últimos 15 anos, alvos crescentes de mortes violentas (por armas de fogo, por acidente ou por suicídio). Na contagem nacional, feita pelo IBGE, o índice passou de 28,9% em 1990 para 34% em 2002 e 2003 e se manteve estável até 2005 (33,9%). A curva de crescimento corresponde a um aumento de 17% entre 1990 e 2005.
¿ Isso se deve à exposição da mulher ao risco nas áreas urbanas. Aos acidentes de trânsito, aos acidentes de trabalho, à criminalidade ¿ afirma o pesquisador Cláudio Crespo, gerente de estatísticas gerais do IBGE.
A Região Sudeste apresentou o maior incremento durante o período (28,7%). Mas na Região Sul são encontrados as maiores proporções de óbitos violentos entre mulheres dessa faixa etária (40%).
Rio mantém o maior índice de morte por violência
O Rio de Janeiro segue com a taxa de mortalidade mais elevada na faixa etária de jovens do sexo masculino de 15 a 24 anos: 227,4 óbitos por 100 mil habitantes. Levemente superior ao de 2004, que era de 225 por 100 mil habitantes.
Atrás do Rio estão Espírito Santo (203,2), Pernambuco (188,2), Paraná (163,2) e Mato Grosso do Sul (154,9). São Paulo reduziu o óbito entre jovens de 15 a 24 anos de 177 por 100 mil habitantes para 138 por 100 mil habitantes. Um declínio de 22%.
As regiões Nordeste e Sul apresentam os menores incidências de mortes masculinas por causas violentas ao longo dos anos. A cobertura dos óbitos (o percentual de mortes registradas em cartório), no entanto, revela a distância entre a realidade das duas regiões: os valores do Sul mostram a real situação de incidência de violência (com um sub-registro de apenas 1,7%). No Nordeste, no entanto, esse o índice de óbitos sem registro chega a 31,7% ¿ subestimando os valores da violência na região.
Em 1990, cerca de 60% dos óbitos masculinos ocorridos na faixa etária de 15 a 24 anos estava relacionado a causas violentas. Ao longo da década, esse valor subiu, atingindo 70,2% em 2002 e 68,7% em 2005.