Título: Divórcio bate recorde no Brasil, diz IBGE
Autor: Menezes, Maiá
Fonte: O Globo, 06/12/2006, O País, p. 16
Separados, no entanto, optam por oficializar novas uniões: dobra percentual de divorciados que decidem se casar
O divórcio atingiu patamares recordes no Brasil. O número de brasileiros que sacramentaram o fim do casamento aumentou 15,5% no ano passado em relação a 2005 ¿ passaram de 130.527 para 150.714. O crescimento, identificado pela pesquisa Estatísticas de Registro Civil, divulgada ontem pelo IBGE, vem acompanhado de uma outra tendência: os divorciados, aparentemente, decidiram apostar de novo no casamento. No ano passado, aumentou o número de uniões legais entre solteiros e divorciados. O percentual de casamentos entre cônjuges divorciados subiu de 0,9% para 2% do total.
De 1995 a 2005, o percentual de mulheres solteiras que se casaram com homens divorciados passou de 4,1% para 6,2% do total de casamentos, enquanto o de mulheres divorciadas que se uniram legalmente com homens solteiros passou de 1,7% para 3,1%. Proporcionalmente, os cônjuges solteiros, responsáveis por 85,5% dos casamentos, reduziram em 5,8% sua participação no universo de novos casamentos.
¿ Nós últimos anos, temos percebido a redução dos casamentos entre solteiros. A novidade é o aumento na opção dos divorciados por se casar de novo ¿ atesta o pesquisador Cláudio Crespo, gerente de estatísticas gerais do IBGE.
A quantidade de separações judiciais em 2005 (100.448) foi 7,4% maior do que no ano anterior. Nas separações e divórcios, a participação das mulheres foi decisiva. Em 2005, 72,1% das separação litigiosas foi pedida oficialmente pelas mulheres. Os homens foram responsáveis por 26,3% dos pedidos. Quando a opção é pelo divórcio, o percentual de mulheres requerentes caiu para 51,6% e o de homens, para 48,4%.
Na Região Norte, o crescimento dos divórcios foi de 17,8% e na Sudeste, de 21,8%. No Nordeste (15%), Sul (5,8%) e Centro-Oeste (2,9%), os percentuais de aumento de divórcios ficaram abaixo da média nacional.
O brasileiro se separou mais do que casou, em 2005. Mas manteve a tendência de oficializar as uniões, identificada a partir de 2002. A estabilidade econômica do país foi responsável, segundo o IBGE, pelo aumento, em relação a 2004, de 3,6% da quantidade de casamentos.
¿ Cresce, no Brasil, um interesse consensual em formalizar as uniões. A estabilidade econômica ajuda nisso. A Justiça promove eventos para a celebração dos casamentos. Isso facilita a inclusão de mais pessoas de baixa renda ¿ afirma o pesquisador.
No que depender dos números, dezembro é o mês das noivas: em coerência com a tendência dos últimos 30 anos, em dezembro do ano passado aconteceu o maior número de casamentos em relação à média anual.
A natureza das separações mostra uma predominância dos acordos: 76,9% das separações judiciais concedidas em 2005 foram consensuais; 22,9% se caracterizaram como não-consensuais; e 0,02% não tiveram natureza declarada. A Região Nordeste foi a que teve o maior percentual de separações judiciais não-consensuais (35,1%). No Sudeste a maior proporção foi de separações consensuais (79%).
A pesquisa mostra que a média de idade dos casais nas separações judiciais e nos divórcios seguiu a tendência da década passada. Para os homens as idades médias foram 38,5 anos na separação judicial e 42,9 anos no divórcio. Entre as mulheres, as idades médias foram 35,4 e 39,4 anos.
De 1995 para cá, o número de casamentos no país aumentou de 734 mil para 835,8 mil. Comparado com o índice de crescimento da população, no entanto, o percentual diminuiu ¿ de 6,8 casamentos para cada mil pessoas com 15 anos ou mais para 6,2 por mil.
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