Título: Brasil não se preparou, afirma órgão francês
Autor: Barboa, Flávia e Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 10/12/2006, Economia, p. 33
Relatório mostra que somente partindo da França movimento cresceu 65% em 5 anos
PARIS. Um relatório publicado em setembro pelo DGAC, o órgão responsável pela aviação civil na França, confirma a constatação de muitos controladores aéreos: o número de vôos partindo da França em direção ao Brasil teve uma progressão espetacular desde 2001, crescendo mais de 65%.
O patamar é similar ao dos vôos para a Rússia e para a República Dominicana. O Brasil só perdeu para a China, que viu no mesmo período um aumento do tráfego aéreo de 86%. Só no ano passado, o número de vôos da França para o Brasil cresceu 20%.
Para Stéphane Durand, controlador aéreo no aeroporto de Roissy Charles de Gaulle - um dos mais movimentos da Europa - e secretário-geral do poderoso sindicato dos controladores franceses, o SNCTA, isso prova que as queixas dos colegas Brasileiro têm fundamento: o tráfego para o Brasil aumentou, sem que o sistema de controle aéreo se adaptasse.
- O Brasil precisa repensar seu sistema - diz ele.
Durand explica que a Europa investiu pesadamente para adaptar seu sistema à explosão do tráfego aéreo, que dobrou nos últimos 15 anos e vai dobrar novamente entre 2007 e 2020. Em 1989, o Charles de Gaulle tinha uma torre de controle e duas pistas. Hoje, tem três torres de controle e quatro pistas, e mudou todo o sistema de informática. Entre 2001 e 2007 terão sido feitas 120 contratações, e a formação dos controladores ficou mais rigorosa, durando entre quatro e cinco anos.
Para ele, o movimento dos controladores Brasileiros é justificável e necessário por uma questão de segurança. Durand considera uma anomalia o fato de o controle aéreo Brasileiro estar nas mãos de militares. No mundo, diz, 90% são civis.