Título: Lula chora ao receber diploma pela segunda vez
Autor: Lima, Maria e Brígido, Carolina
Fonte: O Globo, 15/12/2006, O País, p. 5

Presidente se emociona ao falar do apoio popular, critica a imprensa e os adversários e elogia processo eleitoral

BRASÍLIA. Numa cerimônia protocolar e com poucos convidados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a chorar, como da primeira vez, ao ser diplomado ontem no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A diplomação, que o habilita para o segundo mandato, foi presidida pelo presidente do TSE, Marco Aurélio de Mello, que dois dias antes, junto com os demais membros do tribunal, votou pela rejeição das contas de campanha de Lula.

Rouco, com os olhos vermelhos, resultado de uma gripe, Lula começou dizendo que a segunda diplomação seria menos emocional. No primeiro mandato, ao ser diplomado, Lula chorou ao dizer que sempre fora cobrado por não ter diploma superior, mas havia ganho, do TSE, seu primeiro diploma, o de presidente da República.

Ele ressaltou o sucesso da eleição, a rapidez das urnas eletrônicas e agradeceu aos eleitores. Falou do desafio de acelerar o crescimento e fazer esforços para alcançar a justiça social.

¿ Quando recebi o primeiro diploma, estava tomado pela emoção. Quatro anos mais velho e com a maturidade que adquiri, não me permito ter esse estado emocional. No primeiro diploma eu tinha um sonho, agora tenho responsabilidade.

Ao dizer que o povo humilde o apoiou no momento mais difícil do governo, as lágrimas e a voz embargada interromperam o discurso. A platéia, formada por ministros e políticos, o aplaudiu. Indignado e fazendo uma crítica indireta à imprensa e aos adversários, Lula disse que o povo dispensou intermediários e não deixou de acreditar nele, apesar da crise:

¿ No momento mais difícil, o povo humilde deu uma lição ao Brasil. Assumiu a responsabilidade de dizer: quero votar em quem eu sei votar. Acabou-se o tempo em que as pessoas ousavam dizer para o povo como votar.

Marco Aurélio ressalta avanço do sistema eleitoral

O presidente disse que as eleições mostram a consolidação do processo democrático e parabenizou o TSE pela condução do processo. Agradeceu o apoio de sua mulher, Marisa Letícia, e de Mariza Gomes, mulher de Alencar. A solenidade durou 24 minutos. Em discurso, o ministro Marco Aurélio de Mello ressaltou o avanço do sistema eleitoral. No momento em que se discute a possibilidade de o Ministério Público abrir processo por abuso de poder econômico, em função da rejeição das contas de Lula, o ministro disse que os resultados das eleições são inquestionáveis:

¿ Estamos encerrando mais uma etapa do processo eleitoral, que foi tranqüilo, apuração rapidíssima e resultados inquestionáveis. Cabe à Justiça Eleitoral cumprimentar os eleitos. Sejam felizes os diplomados.

Os preparativos dos últimos dias foram atrapalhados pela chuva. Gripados, Lula e Alencar entraram pela garagem, dispensando o tapete vermelho. O único representante popular na solenidade, que assistiu do telão, do lado de fora, foi o andarilho maranhense José Edvaldo Souza. Alguns governadores, eleitos e no cargo, estiveram presentes. Em entrevista, Lula falou da emoção:

¿ Se tem uma coisa que faz o povo pobre comer é a inflação mais baixa. O povo percebeu isso, e isso foi o que mais me emocionou.