Título: Emprego encolhe 0,2% na indústria
Autor: Louven, Mariza
Fonte: O Globo, 14/12/2006, Economia, p. 37
Produção se recupera, mas não é suficiente para ampliar vagas. Salário reage
O número de vagas na indústria do país voltou a cair de setembro para outubro: 0,2%. O número menor de pessoas ocupadas, combinado à recomposição salarial e à queda da inflação, levaram a um aumento real de 2,2% dos salários em outubro frente ao mês anterior, já descontados os efeitos sazonais. Apesar da ligeira recuperação da produção, de 1,5%, segundo o IBGE, a indústria já acumula no ano queda de 0,3% no emprego e de 0,4% em 12 meses.
¿ O principal impacto negativo veio dos setores que sofrem mais a concorrência dos produtos importados, como calçados e vestuário, grandes empregadores. Já o destaque positivo foi o de alimentos e bebidas ¿ afirmou André Oliveira, técnico da Coordenação de Indústria do IBGE.
Na comparação com outubro do ano passado, o pessoal ocupado cresceu ligeiramente, 0,2%, quarto resultado positivo consecutivo. Num ano marcado por altos e baixos na ocupação industrial, o IBGE recomenda analisar ainda a média móvel trimestral: nos três meses encerrados em outubro, frente ao trimestre terminado em setembro, o resultado ficou estável (0%).
Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), este quadro de estagnação não vai mudar até o fim do ano e a indústria deverá ter crescimento zero na ocupação em 2006.
Em outubro, na comparação com o mesmo mês do ano passado, o emprego industrial aumentou em 11 dos 18 segmentos pesquisados. Entre os destaques estão alimentos e bebidas (6,8%), refino de petróleo e produção de álcool (16,7%) e meios de transporte (2,3%). Já as principais contribuições negativas vieram de calçados e artigos de couro (-14,1%), vestuário (-6,1%) e máquinas e equipamentos (-3,7%).
A principal explicação para a estagnação da ocupação é que os setores que vêm liderando a fraca expansão industrial empregam relativamente pouco (extrativa mineral ¿ ou seja, petróleo ¿, açúcar e álcool e setores intensivos em tecnologia, como informática). Já os que mais empregam estão em crise (vestuário, têxtil, calçados, madeira e máquinas e equipamentos agrícolas).