Título: Pará lidera ranking de empresas que praticam trabalho escravo no país
Autor: Machado, Ismael
Fonte: O Globo, 16/12/2006, O País, p. 12

Ministério divulgou lista com 204 empregadores flagrados em 13 estados

BELÉM. Um levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego mostra que o Pará é o estado com mais trabalho escravo no país. São do Pará 35,5% dos empregadores que aparecem na edição deste ano da chamada lista suja do ministério, por utilizarem mão-de-obra em situação análoga à de escravo.

Ao todo, 204 empresários compõem a nova lista do ministério. Entre eles, há quatro reincidentes. Foram incluídos este ano mais 52 empregadores de todo o país, entre pessoas físicas e jurídicas, e todos foram flagrados usando mão-de-obra escrava em 13 estados. O ministério não pôde incluir na lista outros 34 empregadores, pois eles obtiveram liminares com efeito suspensivo da Justiça Federal e da Justiça do Trabalho.

O Tocantins vem em segundo lugar, com 20,9% dos empregadores na lista. Os outros estados citados são Maranhão (16,9%), Mato Grosso (9,3%), Goiás (5,2%), Bahia (3,5%), Mato Grosso do Sul (2,9%), Roraima (1,7%), Minas Gerais e Piauí (1,2%).

Rio Grande do Sul aparece pela primeira vez na lista

São Paulo, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul ¿ que aparece pela primeira vez na lista ¿ têm 0,6% cada. As principais causas de inclusão ou manutenção do nome do empresário no cadastro são: não-quitação das multas impostas, reincidência no crime e ações em trâmite no Judiciário. Os estados que lideram o ranking estão no chamado arco do desmatamento amazônico e na região do cerrado, onde a vegetação nativa perde espaço para os empreendimentos agropecuários.

Segundo o ministério, os trabalhos típicos a que os trabalhadores eram submetidos em condições degradantes são a derrubada de mata nativa para a ampliação de pastagem; a colheita da cana-de-açúcar para a fabricação de álcool; a limpeza de terrenos para o plantio de soja e algodão, colheita de café e babaçu, extração de resina, produção de carvão vegetal (matéria-prima para a siderurgia), entre outras atividades.

Um total de 26 empregadores que deixaram de praticar o trabalho escravo nos últimos dois anos foram excluídos da lista.

Entre os reincidentes está a Destilaria Gameleira, do Mato Grosso. Em 2005, fiscais flagraram lá 1.003 pessoas em condições análogas à escravidão. O dono é Eduardo de Queiroz Monteiro, irmão do deputado federal Armando de Queiroz Monteiro Neto (PTB-PE).