Título: Corte de juros faz BC deixar para trás papel de grande vilão do crescimento
Autor: Duarte, Patrícia
Fonte: O Globo, 24/12/2006, Economia, p. 28

Para analistas, economia fraca tira foco da Selic e reduz pressão por mudança

BRASÍLIA. Com os juros no menor patamar histórico e a inflação mais do que sob controle, o Banco Central (BC) deve sair de cena como o grande vilão do crescimento econômico no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, avaliam integrantes do próprio governo e analistas de mercado. Isso porque a taxa básica de juros (Selic) vem caindo desde setembro de 2005 ¿ 6,5 pontos percentuais de corte, para os atuais 13,25% ao ano ¿ e nem assim a economia brasileira deslanchou. Ao contrário, cresceu bem menos do que o esperado.

Economista: impostos são entrave bem maior ao país

Um sinal de que os juros não são os únicos responsáveis pela expansão pífia da economia, argumenta um técnico do governo, são as expectativas do mercado ao longo deste ano. O relatório Focus, elaborado pelo BC, mostra que, no início de janeiro, os especialistas esperavam crescimento de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de todas as riquezas produzidas no país) e Selic de 15% no fim de 2006. No último documento, divulgado semana passada, as contas mostravam PIB expandindo 2,76% e taxa básica a 13,25%. O BC fala em crescimento de 3% este ano e de 3,8% em 2007.

¿ Fica claro que os juros são os menores entraves (ao crescimento). A carga tributária tem um peso bem maior ¿ avalia o economista-sênior para a América Latina do banco alemão Dresdner Kleinwort Wasserstein, Nuno Camara.

Não por acaso, o papel da autoridade monetária não mudará. Isso é dado como certo, dentro e fora do governo. Ou seja, continuará com o foco no controle da inflação, com o uso da Selic. Maior controle de câmbio ou cortes artificiais nos juros estão fora de cogitação.