Título: Vice de Yeda vai a Assembléia lutar contra pacote econômico da tucana
Autor: Oliveira, Chico
Fonte: O Globo, 29/12/2006, O País, p. 4
Paulo Feijó (PFL) denuncia acordo entre Rigotto e a governadora eleita do RS
PORTO ALEGRE. A governadora eleita do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), terá um dia decisivo hoje, quando a Assembléia Legislativa vota um pacote de medidas de seu interesse, enviado pelo governador Germano Rigotto (PMDB). As medidas incluem aumento de impostos, suspensão de incentivos e congelamento de salário do funcionalismo por dois anos. O PFL, partido do vice-governador eleito Paulo Afonso Feijó, fechou questão contra o pacote e o próprio Feijó estará na Assembléia, ao lado de empresários e sindicalistas, pressionando pela rejeição das propostas.
Feijó também denunciou ontem um acordo do PMDB com Yeda, para que ela possa contar com todos os votos do partido.
- Vou estar lá (na Assembléia) fazendo campanha pela rejeição do pacote. Não só com os empresários, mas com toda a sociedade. Só os burocratas do meu governo estão a favor e os que se venderam por cargos no governo. O próprio PMDB, agora no último dia de expediente bancário, teve um custo de R$250 milhões para fechar questão a favor do pacote. O PMDB pediu que o PSDB e a Yeda aceitassem que o atual governo sacasse essa importância dos depósitos judiciais para pagar o funcionalismo. Assim, Rigotto sai sem que tivesse atrasado nada. Esse é o preço do PMDB para votar a favor -- denunciou Feijó.
Procurado, o senador Pedro Simon, presidente do PMDB gaúcho, não se manifestou sobre a denúncia de Feijó. Mas o secretário-geral do partido no estado e vice-presidente nacional do PMDB, deputado federal Eliseu Padilha, disse desconhecer o acordo entre Yeda e Rigotto. Confirmou, entretanto, que o governo federal estaria liberando ontem R$250 milhões para ajudar Rigotto a fechar a folha de dezembro, por conta de créditos do estado junto à União.
Embora o PFL tenha fechado questão, o vice-governador eleito acredita que, dos três deputados, apenas dois votarão contra. Marquinho Lang, que recusou a secretaria da Justiça e Inclusão Social, por não concordar com o pacote, é suplente e vai ser afastado para a posse do titular, Cezar Busatto (PPS), que ocupa uma secretaria na Prefeitura de Porto Alegre. Ele votará a favor do pacote.
"O PFL foi escanteado pela governadora", diz Feijó
Em compensação, não haverá unanimidade no próprio partido de Yeda. O líder tucano na Assembléia, Ruy Pauletti, anunciou que votará contra. O PSB (um deputado), o PCdoB (um deputado) e o PT (13 parlamentares) votarão em bloco, contra. O presidente do PP, deputado federal Francisco Turra, disse ontem que a maior parte de seu partido deverá votar a favor, se for apenas aprovada a prorrogação do tarifaço sobre telefonia, energia e combustíveis, que valeu durante 2006 e seria suspenso neste fim de ano.
- Entendemos que o resto das medidas deveria ser votado depois. Se isso acontecer, acredito que, dos dez deputados, oito votarão a favor do pacote - disse Turra, um dos principais aliados de Yeda no segundo turno.
O deputado Adilson Troca, do PSDB, avaliou ontem que o pacote já estava no final da tarde com 28 votos a favor, do total de 55, o que garantiria sua aprovação na sessão da Assembléia que se inicia hoje às 10h.
Feijó afirma que não renunciará:
- Tenho os meus votos e continuarei trabalhando contra esse tipo de medida intervencionista, que prejudica a economia do estado. O PFL foi escanteado pela governadora, que não deu ao partido qualquer secretaria ou cargo no primeiro e segundo escalão. Ela só me mantém no governo porque não tem direito de me retirar.