Título: Lula poderá propor mudanças na legislação
Autor: Gois, Chico de e Damé, Luiza
Fonte: O Globo, 03/01/2007, Rio, p. 13

O presidente Luiz Inácio lula da Silva poderá propor mudanças na legislação para tornar mais duro o combate ao crime organizado e às ações que ele classificou como terrorismo. lula, que voltou a condenar os ataques ocorridos no Rio, não deu detalhes sobre as alterações que pretende sugerir ao Congresso.

- Não se pode tratar como crimes comuns gestos como aqueles que vimos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Isso significa que, se for o caso, vamos fazer uma mudança na legislação - afirmou, referindo-se à onda de violência organizada por uma facção criminosa em São Paulo, no ano passado, e ao incêndio de um ônibus no Rio, que resultou em oito mortos, na série de ataques, na semana passada.

Na segunda-feira, em seu discurso na posse, lula já tinha classificado as ações como terrorismo. Ontem, ele voltou ao tema:

- Não se pode permitir que alguém possa entrar num ônibus e tocar fogo para as pessoas morrerem e achar que isso deve ser tratado com certa normalidade - indignou-se.

Quando lhe perguntaram se ia propor mudança nas penas, lula afirmou:

- Vamos fazer o que for preciso para acabar com esse vandalismo.

"Há muito mais boa vontade no ar", diz presidente

O presidente disse que ontem mesmo o secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, seguiu para o Rio de Janeiro para se reunir com o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. O encontro acontecerá hoje. Os dois devem tratar do envio da Força Nacional de Segurança Pública ao Rio.

Na segunda-feira, enquanto lula deixava o Congresso para se dirigir ao Palácio do Planalto, o governador Sergio Cabral solicitou a ajuda federal. Segundo o governador, a presença imediata da Força Nacional de Segurança Pública é importante, porque o Rio recebe milhares de turistas nesta época do ano e ainda haverá o encontro dos países do Mercosul na capital, nos dias 18 e 19. Cabral disse ontem que mudanças na legislação sugeridas por lula são uma medida urgente.

- Acho importante ela (a Força Nacional de Segurança Pública) ir antes, ir imediatamente. Vamos convocar a Força Nacional porque ela está preparada para esse tipo de situação, está treinada. Será muito importante como resposta a esses marginais, covardes e facínoras. Será uma boa experiência - disse Sergio Cabral.

Sem citar nomes, mas numa referência indireta a Cabral, o presidente observou que a posse dos novos governadores pode significar mais cooperação entre os governos.

- Ontem (anteontem) houve a posse dos governadores e eu acho que há muito mais boa vontade no ar - disse ele.

A ex-governadora Rosinha Garotinho resistiu a aceitar a cooperação da União, que ofereceu diversas vezes ajuda da Força Nacional.