Título: Lula dá prazo para conseguir acordo na Câmara
Autor: Jungblut, Cristiane e Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 05/01/2007, O País, p. 5

O presidente Luiz Inácio lula da Silva deu prazo até o dia 20 para que haja uma solução para a disputa entre Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara. lula falou sobre a data durante reunião com o governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB). Mas os dois candidatos reafirmaram suas candidaturas e negaram qualquer tipo de acordo.

- No encontro, o presidente disse: "Eu presumo que até o dia 20, até minha volta das férias, tenhamos os diálogos já realizados e provavelmente até lá tenhamos um consenso" - confirmou Tarso Genro, ministro das Relações Institucionais.

De acordo com o ministro, a divisão na base pode, eventualmente, favorecer o lançamento de uma terceira candidatura:

- Essa dupla candidatura pode provocar desequilíbrio institucional na Câmara e fazer emergir uma candidatura que não tenha a representatividade que tem Aldo e Arlindo.

Clima na Câmara é de grande disputa

Tarso reafirmou que tanto o petista quanto o comunista são candidatos que contam com o apoio do governo e que a adesão de deputados da oposição não desmerece nenhum dos dois. De acordo com o ministro, lula, que anteontem se reuniu, separadamente, com Aldo e Chinaglia, não tem intenção de convidar um dos dois para ocupar um ministério como forma de compensação:

- Quem tem condição de presidir a Câmara tem estrutura política elevada.

Mas, na Câmara, o clima entre Aldo e Chinaglia ainda era de grande disputa ontem, um dia depois do encontro com lula, no qual ele pediu entendimento. Os dois ignoraram a recomendação e subiram o tom da campanha. Chinaglia avisou que não recuaria e Aldo negou qualquer negociação para retirada de candidatura em troca de ministério e rebateu proposta de prévia na base aliada feita pelo adversário.

- A disputa pela presidência da Câmara é a disputa de um poder independente. Não pode sofrer injunção de outro poder (no caso, o Executivo). Tive a experiência de ministro, que é subordinado ao Executivo. Agora, como Legislativo, devo lealdade ao Legislativo - avisou Aldo.

Ele criticou a proposta do líder do governo de realizar uma prévia na base aliada para estabelecer uma candidatura única. Aldo disse que a escolha deve ser ampla e institucional, envolvendo todos os partidos, e não apenas os que apóiam o governo lula.

- A eleição na Câmara é uma eleição livre que tem que buscar o acordo político. Excluir a oposição contribui para um ambiente de dificuldade nos trabalhos da Casa - disse Aldo.

Petista diz que é candidato até o fim

Do outro lado, Chinaglia passou a adotar um tom mais enfático de sua candidatura. Disse que se falasse em ministério passaria um recibo de derrotado e afirmou que não havia mais condições políticas para um recuo.

- De uma vez por todas: sou candidato até o fim. Todo dia sou perguntado se vai ter acordo. Não vou recuar - disse Chinaglia, para em seguida voltar atrás na sua proposta de prévia: - Não foi uma defesa tão enfática. Foi apenas uma hipótese.

A nova postura de Chinaglia em relação à prévia foi motivada pela contrariedade do presidente lula na reunião no Palácio do Planalto no dia anterior. Na conversa, lula discordou da idéia e disse-lhe pessoalmente que o candidato tem que ser o da maioria do Congresso e não só dos governistas.