Título: Empresas terão que manter aviões reservas nos principais aeroportos
Autor: Barbosa, Flávia e Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 05/01/2007, Economia, p. 21
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vai obrigar as empresas aéreas a manterem aviões reservas nos principais aeroportos do país. Segundo o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, uma resolução deverá ser publicada até fevereiro. Além de aviões extras, as companhias precisarão de um completo plano de contingência, com tripulação e pessoal de apoio no aeroporto a postos para casos de novas crises, como as dos últimos três meses.
A Anac também emitirá norma para ter acesso direto aos dados de reserva das companhias, tornando padrão a intervenção branca que fez no réveillon, o que evitou overbooking e cancelamentos de vôos.
Sobrecarga de uso pode ter parado aviões da TAM
- Algo em comum em todas as crises que vivemos, seja a dos controladores de vôo, panes, má-gestão de companhias, é que não tínhamos reserva - explicou Zuanazzi.
Segundo Denise Abreu, diretora da Anac, a nova exigência de aviões reservas não deve aumentar o custo do setor nem o preço das passagens.
A falta de equipamentos reservas para o excesso de aviões da TAM parados (seis) foi a principal causa da crise aérea que ocorreu na véspera do Natal, disse o presidente da Anac. Segundo Zuanazzi, uma auditoria formal que começou ontem vai indicar, em 30 dias, os reais problemas da empresa:
- As malhas aéreas são muito integradas e, quando você pára seis aeronaves de uma frota de 95, os problemas aumentam como uma bola de neve.
Uma fonte do governo adiantou que uma hipótese é o desgaste dos equipamentos devido à sobrecarga, pois a TAM aumentou o número de freqüências ao assumir parte das rotas da Varig. Em 2001, quando a Gol chegou ao mercado (usando cada aeronave 10,8 horas por dia), a média da TAM era de 8,3 horas e a da Varig, de 5,9. Em março de 2006, a Gol praticava 13 horas diárias e a TAM subira para 12,6 horas. Mesmo assim, as empresas tiveram de absorver os passageiros da Varig.
Ontem, em 12 grandes aeroportos do país, 74 vôos, ou 16,5% dos 447 previstos, tiveram atrasos superiores a uma hora. Outros 27 foram cancelados.