Título: 'Queremos resgatar a moralidade'
Autor: Gois, Chico de e Jungblut, Cristiane
Fonte: O Globo, 08/01/2007, O País, p. 5
O deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE), um dos articuladores de uma candidatura para se contrapor às de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara, diz que o movimento que será lançado oficialmente hoje em São Paulo, com a presença de dez parlamentares, pretende ocupar um espaço que, segundo ele, já foi do PT: resgatar a moralidade da Câmara e ser referência política e moral do Congresso.
Como será a reunião de hoje da terceira via?
RAUL JUNGMANN: Vamos reunir alguns deputados para lançar o esboço de um programa para a presidência da Câmara. Depois, vamos procurar os presidentes dos partidos para, somente após uma ampla discussão, lançarmos um nome.
Por que lançar um programa e somente depois, um nome?
JUNGMANN: As atuais candidaturas são mera personalização expressa do poder pelo poder. O que se quer é obter um ministério, nacos do poder, liberação de emendas parlamentares. Queremos nos diferenciar disso. Nossa proposta é republicana.
O fato de lançar primeiro um programa sem candidato não significa que o grupo de vocês tem dificuldades de chegar a um nome?
JUNGMANN: Há alguns nomes reluzentes que podem ser candidatos. Mas lançar um nome de imediato pode não ter consenso. Vamos esperar. O mais importante é o programa.
Seu grupo fala em moralizar a Câmara, mas dá para cortar benefícios dos deputados e, ainda por cima, ter os votos deles para essa plataforma?
JUNGMANN: Vamos buscar um ponto de equilíbrio entre o que é aceitável perante a opinião pública e os interesses dos parlamentares. O que está em jogo é a hegemonia na defesa da moralidade da Câmara. O PT tinha e a jogou fora. Queremos resgatá-la. Há um grupo de deputados que está se tornando referências política e moral do Congresso. Se não formos bem-sucedidos, teremos dado um rumo para essa discussão.