Título: Parte do PMDB decide apoiar Chinaglia contra Aldo
Autor: Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 10/01/2007, O País, p. 9
Decisão teve a mão do Planalto; dos 89 deputados do partido, 64 participaram da votação, e 46 apoiaram o petista
BRASÍLIA. Depois de uma forte mobilização do PT, monitorada de perto pelo Palácio do Planalto, o líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), ganhou o apoio de parte da bancada do PMDB para disputar a presidência da Câmara. Depois de duas horas de reunião, Chinaglia derrotou por uma grande vantagem o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP). O petista teve 40 votos na reunião, mais seis votos enviados por escrito, totalizando 46. Aldo recebeu apenas 11 votos. Outros seis deputados peemedebistas optaram por não escolher nenhum dos dois candidatos da base governista. Houve apenas um votou em branco.
Dos 89 deputados do PMDB da próxima legislatura, votaram 64 parlamentares. Por isso, a vitória de Chinaglia foi considerada pelo próprio PT como expressiva e fundamental para sua candidatura. O grupo de Aldo trabalhou para adiar a reunião, mas não teve sucesso. No início da noite, a avaliação feita no Palácio do Planalto era de que o petista ganhara novo fôlego. O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, monitorou a reunião e recebeu ligações de peemedebistas e petistas.
Em reunião reservada, o grupo que defende o nome de Aldo considerou que o Palácio do Planalto começou a se movimentar em favor de Chinaglia. O grupo foi informado que no dia anterior Tarso avaliava que Chinaglia era o favorito na base aliada, o que incomodou Aldo.
No início da noite, assim que acabou a reunião, Chinaglia comemorou. Tanto ele como o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), ressaltaram que o apoio do partido ao petista fazia parte de um acordo em que o PT assumiria o compromisso de apoiar um candidato peemedebista para a presidência da Câmara para o biênio 2009/2010. O líder do governo classificou o apoio do PMDB como o fato político mais importante de sua campanha.
¿ Eu me sinto mais fortalecido, não só pelo peso numérico do PMDB, mas pelo peso político ¿ disse Chinaglia, que chegou a brincar: ¿ Com o PMDB se incorporando à minha campanha, vou ter tempo para cortar o cabelo.
Ele voltou a afirmar ontem que, se eleito, vai recolocar no debate da Casa a equiparação do salário dos deputados com os dos ministros do Supremo Tribunal Federal, que é de R$24.500. Disse ainda que porá isso na carta com os compromissos de campanha que será divulgada hoje.
¿ Se o caminho for pela equiparação salarial, eu digo que sou favorável ¿ afirmou.
O petista agradeceu aos três pré-candidatos do PMDB que retiram os seus nomes da disputa, os deputados Geddel Vieira Lima (BA), Eunício Oliveira (CE) e Edinho Bez (SC). E lembrou que, em 2005, retirou seu nome da disputa para apoiar Aldo.
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