Título: Fiel da balança. PSDB é disputado pelos 2 lados
Autor: Camarotti, Gerson e Vasconcelos, Adriana
Fonte: O Globo, 11/01/2007, O País, p. 10
Candidatos têm procurado líderes tucanos em busca dos 65 votos da bancada na Câmara
BRASÍLIA. Com o PMDB dividido, os dois candidatos à presidência da Câmara pretendem investir no apoio dos tucanos. Com 65 deputados e ainda sem posição oficial definida, o PSDB poderá acabar se transformando numa espécie de fiel da balança da eleição do próximo dia 1º de fevereiro. Seja apoiando um terceiro nome alternativo, o que hoje é menos provável, mas que poderia levar a disputa para o segundo turno, ou fechando questão em favor de um dos candidatos já colocados.
O candidato do PT, Arlindo Chinaglia (SP), encontrou-se ontem com a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius. E teria mandado emissários ao governador de São Paulo, José Serra, propondo que, em troca do apoio à sua candidatura, ele negociaria uma trégua do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo.
Parte da bancada tucana já pressiona os dois líderes do partido, o atual, Jutahy Magalhães (BA), e o futuro, Antonio Carlos Pannunzio (SP), para que acelerem a tomada de posição numa reunião já na próxima semana.
De olho nos votos dos tucanos, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), está em contato permanente com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e outros líderes tucanos. Um grupo de parlamentares do PSDB, liderado pelos deputados Albano Franco (SE) e Luiz Carlos Hauly (PR), já deflagrou um movimento para pressionar o partido a fechar questão em favor de Aldo. Eles argumentam que o apoio ao candidato do PT, Arlindo Chinaglia (SP), seria inconcebível na medida em que os petistas deverão continuar sendo os principais adversários dos tucanos nas próximas eleições.
¿ Não podemos esperar até o próximo dia 30 (data inicial prevista para a reunião da bancada) para nos posicionarmos. O PSDB é hoje quase o fiel da balança. Pessoalmente, defendo o apoio à candidatura de Aldo ¿ confirmou Albano Franco, que se reuniu à tarde com Aldo.
Presidente do PCdoB cobra explicações de Tarso
Ontem, a expectativa do grupo de Chinaglia era de que a decisão do PMDB possa motivar outros partidos da base a tomar posição semelhante. O vice-líder do PP, deputado João Pizzolatti (SC), em nome do partido, informou que na próxima semana a bancada deve fazer uma reunião para oficializar o apoio ao petista. Ele disse que tem consultado os deputados da legenda e que a maioria demonstrou a intenção de apoiar Chinaglia. Mas a decisão não é unânime. O deputado Ciro Nogueira (PP-PI) rebateu a informação e disse que a bancada está dividida:
¿ Não há essa tendência em favor de Chinaglia. Pelo contrário: o PP está dividido.
Um dia depois que aliados de Aldo levantaram suspeitas sobre a liberação de emendas orçamentárias para ajudar na cooptação de peemedebistas em prol da campanha de Chinaglia, o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, cobrou explicações do ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro. Além de mostrar que está atento à movimentação no governo em favor de Chinaglia, Rabelo sinalizou que poderá procurar pessoalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para impedir qualquer interferência externa na briga pela presidência da Câmara.
¿ Os dois candidatos acabaram adquirindo uma dimensão própria. É como o gênio que sai da garrafa: não tem volta ¿ observou Renato Rabelo.
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