Título: Industria está otimista para primeiro trimestre
Autor: Lins, Letícia e Francisco, Paulo
Fonte: O Globo, 01/02/2007, Economia, p. 25
Sondagem da FGV mostra que 27% dos empresários esperam produzir mais até março
SÃO PAULO, BRASÍLIA e RIO. Apesar da desaceleração nos negócios no início do ano, a indústria de transformação está otimista e espera retomar patamares mais elevados de produção ainda no primeiro trimestre. Sondagem Conjuntural, divulgada ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV), revela que, em janeiro, o Índice de Expectativas da indústria (que leva em conta as perspectivas para produção, emprego e situação dos negócios num horizonte de três a seis meses) subiu 1,7% em relação a dezembro, passando de 96,8 para 98,5.
Das 1.050 empresas ouvidas na sondagem, que juntas faturam R$478 bilhões, 27% disseram que vão produzir mais até março, enquanto 23% esperam uma produção menor. O que faz do Índice de Produção Prevista, de 104 no mês passado, o melhor apurado em um mês de janeiro desde 1997.
- No quarto trimestre houve uma aceleração na indústria, e, em janeiro, certa perda de fôlego. Mas as expectativas dos empresários são mais favoráveis - disse o coordenador de sondagens conjunturais da FGV, Aloisio Campelo.
Ouvidas entre os dias 2 e 26 do mês passado, 14% das empresas disseram que o nível de demanda estava fraco, mesmo percentual das que afirmavam continuar com demanda forte. O Índice da Situação Atual dos negócios foi de 110,6, 4,6% menor que os 115,8 de dezembro.
Pesquisa da CNI confirma tendência de crescimento
Combinando a avaliação da situação atual com as perspectivas do setor, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) ficou em 104,4 no mês passado, patamar 9,1% superior ao verificado em janeiro de 2006.
- A indústria continua num ritmo morno, de recuperação moderada - resumiu Campelo.
Segundo o boletim Sondagem Industrial, divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a produção e o faturamento da indústria confirmaram, no quarto trimestre de 2006, a tendência de crescimento. O indicador de produção atingiu 52,8 pontos, enquanto no fim de 2005 o índice era de 50,8 pontos. Por razões sazonais, houve uma queda em relação a setembro de 2006, quando a taxa foi de 53,2 pontos.
No Rio, índice de confiança foi o mais alto desde 2005
"Essa expansão confirma um bom momento da indústria, visto que a produção já tinha crescido no terceiro trimestre. O crescimento da produção industrial no segundo semestre de 2006 contrasta com a falta de dinamismo da indústria em igual período de 2005", avalia a CNI.
O indicador de faturamento, que havia somado 49,8 pontos em dezembro de 2005, subiu para 53,1 pontos em setembro e finalizou 2006 em 53 pontos. Os setores que apresentaram melhor desempenho, em termos de vendas, foram álcool, refino de petróleo e equipamentos hospitalares e de precisão.
Em consonância com as outras pesquisas, o Índice de Confiança do Empresário Industrial Fluminense (ICEI-RJ) de janeiro fechou em alta, puxado pelas expectativas futuras. Registrando o pico de 58,4 pontos - aumento de 1,6 ponto sobre o mesmo período do ano passado e de 4,7 pontos sobre o trimestre anterior - o ICEI-RJ teve a maior pontuação desde janeiro de 2005. O índice é feito a partir da Sondagem Industrial do estado - realizada pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) com a CNI.