Título: Siderúrgicas aproximam Bolsa de recorde. Fitch pode elevar nora do país
Autor: Eloy, Patricia
Fonte: O Globo, 06/02/2007, Economia, p. 21

Agência elogia contas externas e leva Usiminas a grau de investimento

A alta nos preços do aço no mercado internacional e a classificação da Usiminas como empresa investment grade impulsionaram ontem as compras de papéis de empresas siderúrgicas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Como as ações representam 15% do Ibovespa ¿ índice que reúne as 58 mais negociadas do mercado ¿ a Bolsa fechou em alta de 0,64%, aos 45.286 pontos, perto do recorde histórico de 45.382 pontos, registrado no dia 2 de janeiro. No fim do dia, a agência de classificação Fitch Ratings, a mesma que deu a nota da Usiminas, indicou que pode melhorar a avaliação do crédito do governo brasileiro.

As ações da Usiminas dispararam 5,26%, a maior alta do Ibovespa, seguida de perto pelos papéis de Arcelor (4,37%), CSN (3,01%) e Gerdau (2,85%). Em sua primeira avaliação da Usiminas, a Fitch classificou a companhia como grau de investimento ¿ mais alto nível de avaliação de risco, que indica aplicações pouco arriscadas e que, por isso, são mais procuradas por investidores internacionais ¿ devido a ¿sua posição competitiva no mercado¿ e a seu baixo endividamento. As ações também reagiram a rumores de que a China restringiria a exportação de aço.

Brasil pode ter nota elevada nos próximos dois anos

Próximo ao encerramento dos negócios no Brasil, a Fitch colocou a nota do país em perspectiva positiva, devido à rápida melhora nas contas externas do país, o que aumenta as chances de que o país tenha sua nota elevada ¿nos próximos dois anos¿ se não houver deterioração das finanças públicas. A nota do país (BB) está hoje a dois níveis do grau de investimento.

Para analistas, a possibilidade de melhora na nota brasileira pode levar a Bolsa a quebrar novos recordes. Ontem, parte da alta foi motivada pela produção industrial mais forte que o esperado em dezembro: o mercado projetava uma queda de 0,40% e o indicador avançou 0,50%.

O saldo de investimento estrangeiro encerrou o primeiro mês do ano no vermelho, com uma saída líquida de R$1,264 bilhão. O resultado anula, em apenas 30 dias, parte do o saldo positivo de R$1,752 bilhão registrado em todo o ano passado. As compras somaram R$20,7 bilhões e as vendas, R$21,96 bilhões, o maior volume desde maio de 2006 (R$27,081 bilhões). Na época, os estrangeiros deixaram os mercados emergentes devido a uma expectativa de elevação da taxa de juros americana. (Patricia Eloy)