Título: Discreto, mas atuante
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Fonte: O Globo, 08/02/2007, O País, p. 4

Palocci quer ter vaga na Comissão de Finanças e influenciar o debate econômico

BRASÍLIA. Assíduo nas reuniões da bancada e com atuação voltada aos assuntos econômicos, o deputado Antonio Palocci (PT-SP) foge dos holofotes. Seu partido avalia que é melhor para todos que ele evite, pelo menos agora, assumir a linha de frente de projetos partidários. Por isso, o ex-ministro da Fazenda não deverá presidir, como chegou a ser cogitado, a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, escolhida ontem pelo PT como a prioridade do partido este ano.

Palocci participou da articulação da ala econômica do PT que elegeu a Comissão de Finanças como a primeira a ser escolhida pelo partido, deixando como segunda a Comissão de Educação. Na reunião interna, Palocci até fez discurso em defesa dessa estratégia, mas negou que seja candidato a presidente. Quer participar, mas discretamente. O cargo deve ficar com o deputado Vignatti (PT-SC), da ala mais à esquerda.

¿ Se tiver uma vaguinha (na Comissão de Finanças e Tributação), quero sim ¿ afirmou Palocci, sorridente mas discreto.

Palocci deixou o governo depois de ser acusado de determinar a quebra do sigilo fiscal e bancário do caseiro Francenildo Costa, assunto que diz considerar uma página virada. A sua disposição é influenciar no debate dos temas econômicos. À tarde, saiu de sessão para discutir com parlamentares e assessores do governo o projeto que cria a Super-Receita.

Na bancada do PT a avaliação é de que Palocci sabe do desgaste da sua imagem e, por isso, vai atuar mais nos bastidores, defendendo os projetos do governo. Tem diálogo aberto e freqüente com o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Pela Comissão de Finanças e Tributação passarão quase todos os projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).