Título: Mesmo com leilão, dólar fica estável
Autor: Beck, Martha e Duarte, Patricia
Fonte: O Globo, 09/02/2007, Economia, p. 27

Para Bradesco, reservas internacionais se aproximam de nível adequado

Patricia Eloy

Um dia após praticamente dobrar o volume de compra de dólares no mercado, o Banco Central (BC) teria pisado ontem no freio e retomado o ritmo de atuação dos dias anteriores - com um leilão de cerca de US$350 milhões, segundo operadores - fazendo a moeda americana encerrar os negócios praticamente estável. O dólar avançou 0,05%, para R$2,094. Na véspera, rumores sobre uma possível saída de Henrique Meirelles da presidência do BC e a compra de cerca de US$500 milhões fizeram a moeda subir 0,34%.

Pouco depois do meio-dia e antes do leilão diário (que ocorreu por volta das 15h30m), a expectativa de que o BC voltasse a reforçar a atuação no mercado levou o dólar de volta aos R$2,10, o que não ocorria desde a última sexta-feira. O maior volume financeiro - cerca de US$2,7 bilhões, 35% acima do registrado anteontem - ajudou a minimizar o efeito de um novo leilão de compra de dólares pelo BC, que adquiriu moeda a R$2,0937, reforçando ainda mais as reservas internacionais, hoje em US$92,3 bilhões.

Embora os leilões do BC ajudem a pressionar a cotação da moeda, a autoridade monetária alega que as compras têm por objetivo engordar as reservas. Para Octavio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, no entanto, o montante atual já "é suficiente para cobrir as necessidades do Tesouro Nacional com muita folga por 5 anos" e as reservas estariam próximas de um "nível ótimo".

Em relatório enviado a clientes, ele explica que outros indicadores confirmam a folga no setor externo: as reservas hoje correspondem a mais de dez meses de importações - a referência, no passado, era algo entre três e seis meses), "equivalem a 51% da dívida externa total (18% no final de 2002, considerando as reservas brutas) e representam 235% da dívida externa total de curto prazo".

Por isso, para Barros, que prevê reservas de US$110 bilhões em dezembro deste ano, a exemplo do que ocorreu com o México e o Chile, o Brasil caminha para um momento em que a acumulação de dólares pode não ser mais necessária. "Devemos estar preparados para enfrentar essa discussão muito em breve no caso do Brasil", prevê o economista. Ontem, a Bolsa subiu 0,68%, após cair mais de 1% pela manhã. Já o risco-Brasil avançou 0,54%, para 185 pontos centesimais.

INCLUI QUADRO: OS INDICADOSRES [DÓLAR/ RISCO-BRASIL/ BOLSA/ GLOBAL 40]