Título: Projetos sociais repassam dez vezes mais verba que em 1998
Autor: Duarte, Patricia
Fonte: O Globo, 12/02/2007, Economia, p. 16

Recursos são arrecadados com cobrança de impostos como Cofins e CSLL

BRASÍLIA. Mesmo com os fortes desembolsos para pagamento de juros e salários, os recursos arrecadados dos contribuintes pelo governo federal também estão sendo aproveitados em programas sociais. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social, de 1998 até 2006, os recursos com esse fim cresceram dez vezes: de R$2,1 bilhões para R$22,6 bilhões, bancados com parte da cobrança da Cofins e da Contribuição sobre Lucro Líquido (CSLL), entre outros. São recursos que vão para o Bolsa Família, por exemplo, e que, só no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003/2006), cresceram mais de três vezes.

¿ Há mais distribuição social agora. O Brasil não vai se desenvolver, crescer, com nível de desigualdade grande ¿ avalia a secretária-executiva do ministério, Márcia Lopes.

Segundo ela, investimento na área social não é um movimento assistencialista, porque são exigidas contrapartidas dos beneficiados, como manter seus filhos na escola e vacinados. Assim, as famílias de baixa renda podem receber os benefícios todos os meses e, ao mesmo tempo, abrir a possibilidade de suas crianças terem futuro melhor com o estudo obrigatório. Só com o Bolsa Família, o governo desembolsou R$8,2 bilhões no ano passado, beneficiando mais de 11 milhões de famílias com renda per capita de até R$120 mensais.

Márcia diz que o governo quer garantir a inclusão de pessoas menos favorecidas. Mas ela reconhece que os resultados são a longo prazo, uma vez que o histórico de desigualdade no país é grande.

¿ Nosso grande desafio é a escala. Estamos tentando garantir a universalização (dos projetos) ¿ adiantou ela.

Para alguns especialistas, o assunto merece ressalvas. O coordenador da unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, argumenta que alguns desembolsos nesta esfera podem ser considerados investimentos, mas critica formas que seriam apenas transferência de renda, sem estimular o crescimento econômico que tanto busca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Patrícia Duarte)