Título: Em Angola, militares viraram reféns
Autor: Otavio, Chico
Fonte: O Globo, 25/02/2007, O País, p. 3
Desde o fim dos anos 40, quando pilotos de caça brasileiros, veteranos da Segunda Guerra, foram contratados para treinar a aviação militar da República Dominicana, durante a ditadura de Rafael Trujillo, só houve um momento Em que militares brasileiros, Em missão privada, quase entraram Em combate Em terra estrangeira. Foi Em Angola, Em 1992, quando o governo socialista do Movimento Popular de Libertação de Angola travava uma sangrenta guerra contra a Unita, de Jonas Savimbi, armada pela África do Sul.
Na época, a construtora Odebrecht firmou parceria com uma estatal Angolana para a exploração de diamantes Em Luzamba, na bacia do Rio Cuango. Como o país enfrentava uma guerra civil, o consórcio contratou cerca de 150 homens, entre os quais 50 soldados da reserva da Brigada Pára-Quedista do Exército brasileiro, para proteger suas instalações. Cabia ao grupo evitar furtos, impedir tumultos e outras missões.
No dia 30 de outubro, uma força de guerrilheiros da Unita entrou na região, apoiada por fogo intenso de fuzis e rojões. Entre enfrentar e fugir, o grupo de segurança optou pela segunda alternativa. Um dos militares brasileiros que estava no local disse que até os gurkas, guerreiros do Nepal que fazEm parte do exército britânico, se jogaram no rio.
- Não havia outra alternativa. Se reagíssEmos, seríamos massacrados - lEmbra o militar, que ficou oito meses Em Angola.
O grupo foi mantido refém durante três dias, até ser resgatado por dois aviões Hércules C-130 da Força Aérea Brasileira, que pousaram na região com autorização da Unita.
Este militar, que tinha mais de 30 anos de serviço como pára-quedista, conta que ganhava na época US$5 mil mensais, valor que correspondia a mais de cinco vezes o seu salário. Ele disse que dormia ao lado de um fuzil e de um radiotransmissor, tamanha era a tensão na Empresa:
- Apesar de tudo, queria ter ficado lá por mais tEmpo.