Título: Indústria cresce de modo desigual
Autor: Regina Alvarez
Fonte: O Globo, 25/02/2007, Economia, p. 32

Resultados do setor variam até 16 pontos percentuais entre os estados.

BRASÍLIA. Os efeitos da política econômica, combinados com as disparidades regionais do país, refletiram-se fortemente no comportamento da Indústria em 2006. Uma análise do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) mostra que o crescimento industrial variou mais de 16 pontos percentuais entre os estados. Enquanto no Pará a produção industrial cresceu 14,2%, embalada pela extração de minério e de petróleo, o Amazonas teve queda de 2,2%, puxada pelo comportamento negativo dos setores de material eletrônico, material de comunicação, refino de petróleo e produção de álcool.

No Pará, o desempenho excepcional da Vale do Rio Doce no ano passado alavancou o crescimento da Indústria. Já no Amazonas, o desempenho negativo interrompeu um período de forte expansão e foi provocado, em boa parte, pela política cambial, que estimula as importações. Um importante fabricante de aparelhos celulares fechou suas portas, depois que a operadora que recebia sua produção decidiu importar o produto, incentivada pelo dólar baixo.

Segundo o economista-chefe do Iedi, Edgar Pereira, o comportamento da Indústria nos estados reflete mais os problemas nacionais - relacionados a decisões de política econômica - do que disparidades locais. Ele cita o exemplo do Rio Grande do Sul, onde a desvalorização do câmbio afetou fortemente os setores de calçados, couro e cutelaria. Esse fator, combinado à crise na agricultura, levou o estado a um segundo ano de queda na produção industrial.

- Neste caso, o segmento foi prejudicado pela concorrência com os produtos chineses, que entram no país com preços muito abaixo do custo da produção local - observa.

Rio está mais exposto às mudanças da economia

Na pesquisa do Iedi, o Rio de Janeiro repetiu em 2006 o desempenho dos dois anos anteriores, registrando crescimento industrial de 1,9%, abaixo da média nacional, que ficou em 2,8%. O problema, segundo Edgar Pereira, é que a Indústria do Rio de Janeiro é a menos diversificada entre os estados desenvolvidos e, portanto, está mais suscetível às oscilações da economia.

Os setores que puxaram para baixo o crescimento da Indústria fluminense foram veículos automotores (-4,1%), metalurgia básica (-4,6%) e refino de petróleo e produção de álcool (-2,5%).

Já o estado de São Paulo registrou um crescimento industrial de 3,2%, acima da média nacional, puxado por setores como o de informática, que recebeu vários incentivos do governo e cresceu 48,5% no ano passado.