Título: Segurança de Bush terá 300 agentes americanos
Autor: Carvalho, Jailton de
Fonte: O Globo, 05/03/2007, O País, p. 5

VISITA AMERICANA: Agentes dos EUA são responsáveis pelo círculo número um, barreira mais próxima ao presidente

Plano prevê participação da Polícia Federal e da Aeronáutica, e deslocamento do presidente de helicóptero em São Paulo

Jailton de Carvalho

BRASÍLIA. O esquema de segurança para a visita ao Brasil do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, contará com cerca de 300 agentes americanos armados. O contingente de seguranças dos EUA, para os quais a Polícia Federal já concedeu autorizações especiais de porte de arma, será reforçado por policiais federais brasileiros e militares do Exército. O plano de segurança prevê ainda participação da Aeronáutica e a possibilidade de Bush se deslocar em São Paulo de helicóptero.

Os agentes americanos são os responsáveis pela segurança do chamado círculo número um, a barreira mais próxima a Bush. Será o maior esquema de segurança montado para a recepção a um chefe de Estado no Brasil. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também está envolvida nos preparativos.

Na primeira viagem de Bush ao Brasil, em novembro de 2005, mais de 1.800 militares e policiais foram destacados para fazer a segurança do presidente americano. Desta vez, os organizadores do evento querem um contingente ainda maior para assegurar a passagem de Bush por São Paulo, onde terá encontros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e empresários.

O diretor da Abin, Márcio Paulo Buzanelli, diz que não há exagero:

- O presidente Bush é o alvo número um do terrorismo internacional.

O Comando Militar do Leste, encarregado da segurança de prédios e ruas por onde a comitiva de Bush pode passar, está dando tratamento especial à missão. O comando criou o Centro de Operações de Segurança Integrada, para coordenar as ações militares em terra com a atuação das polícias Civil e Militar e até de bombeiros, requisitados para a operação. O centro está sob a chefia do general João Carlos Vilela, comandante da 2ª Divisão de Exército.

Exclusão do espaço aéreo nos trechos onde Bush passar

Está decidido também que a Aeronáutica fará a exclusão do espaço aéreo dos locais por onde Bush passará: não serão permitidos vôos de qualquer tipo nessas áreas. O procedimento já foi feito durante a cúpula América do Sul e Países Árabes e também na primeira visita de Bush, em Brasília, em 2005.

A exclusão do espaço aéreo em São Paulo tem um motivo adicional, além da preocupação com ataques terroristas: segundo um dos militares, é possível que, quando chegar ao Brasil, Bush resolva se deslocar em São Paulo de helicóptero e não de carro. Os deslocamentos de helicóptero facilitariam também o esquema de segurança.

Para alguns militares, o isolamento de prédios e ruas do trajeto de Bush poderia causar transtornos ao já complicado trânsito da região central de São Paulo. Em Brasília, com avenidas largas e separação de áreas administrativas e comerciais, os seguranças tiveram pouco trabalho para seguir Bush.

- Os helicópteros já estão prontos. Essa é uma das possibilidades - afirma um oficial da Aeronáutica.

A Abin reforçou a vigilância para, em cooperação com a CIA (serviço de inteligência do governo americano), subsidiar a PF e os militares com informações sobre eventuais riscos. Buzanelli explicou que os recentes atentados terroristas nos EUA e em países da Europa, como a Inglaterra, provocaram importantes mudanças no modo de agir dos serviços de inteligência, inclusive no Brasil.

Os especialistas no assunto chegaram à conclusão que não adianta mais só reforçar a fiscalização das viagens de um país para outro de possíveis suspeitos. O mais importante, desde então, é se prevenir contra eventuais terroristas que estejam residindo nas cidades ou países alvos dos ataques.

- Não existe mais essa idéia de que uma pessoa sai de um país para cometer atentado em outro em seguida. Atentados exigem planejamento - diz Buzanelli.