Título: China aumenta gastos militares em quase 18%
Autor: Scofield Jr. Gilberto
Fonte: O Globo, 05/03/2007, O Mundo, p. 20
Pequim anuncia orçamento de US$44,9 bi. EUA dizem que falta transparência e apostam em despesa maior
Gilberto Scofield Jr.
PEQUIM. O governo da China anunciou ontem que o seu orçamento de Defesa será de 351 bilhões de yuans (US$44,9 bilhões) este ano, um aumento de 17,8% em relação aos gastos de 2006. A alta é quase duas vezes a taxa de crescimento prevista para o país este ano, de 9,5%. A notícia foi dada por Jiang Enzhu, porta-voz do Congresso Nacional do Povo (CNP), que realiza a partir de hoje a sua reunião anual em Pequim.
Os gastos militares, que representam uma fatia de 7,5% do orçamento total da China, serão para a compra de novas tecnologias e equipamentos e para corrigir salários das Forças Armadas, que empregam 2,5 milhões de pessoas.
¿ A China não tem a intenção, nem os meios para entrar numa corrida armamentista ¿ afirmou o porta-voz. ¿ Além disso, os gastos militares chineses não se comparam aos das grandes potências. Se levado em consideração o orçamento de 2005, os gastos chineses equivalem a 6,19% das despesas com defesa dos EUA, 52,5% dos gastos britânicos, 71% dos franceses e 67% dos japoneses.
Para ONG, país já teria gastado até mais em 2005
Mas o subsecretário de Defesa dos EUA, John Negroponte, em visita a Pequim, respondeu que falta transparência ao orçamento militar chinês. Ele disse que os EUA gostariam de ter mais clareza sobre qual tecnologia militar os chineses estão desenvolvendo. Há duas semanas, em visita a países asiáticos, o vice-presidente americano, Dick Cheney, afirmou que o crescimento dos gastos de Defesa da China não fazia sentido para um país que se diz tão pacífico.
O governo da China gosta de afirmar que seu orçamento de Defesa representa apenas 1,35% do seu Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas produzidas num país). E que esta relação é maior em outros países: 4,03% do PIB dos EUA, 2,71% do PIB britânico ou 1,93% do PIB da França. Mas o Pentágono já afirmou que a China não trata com transparência seu orçamento militar e os recursos gastos com o Exército de Libertação Popular (ELP, como são chamadas as Forças Armadas) é no mínimo o dobro do declarado oficialmente. A China nega.
¿ O aumento dos gastos militares é moderado e de acordo com o crescimento da China ¿ afirmou Liao Xilong, diretor do ELP.
O Centro para Controle de Armas e Não-Proliferação, uma ONG antiarmamentista de Washington, elaborou um ranking de gastos militares mundiais em 2005, com base em informações coletadas pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos e pelo Departamento de Defesa dos EUA. Nesta lista, os EUA parecem em primeiro lugar, com um orçamento de US$522 bilhões, seguido da China, com gastos de US$62,5 bilhões. Os números chineses são de 2004, mas já bem acima do declarado pelo governo de Pequim para este ano.
Em fevereiro, Shoichi Nakagawa, assessor do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, afirmou que a China ¿poderia transformar o Japão em outra de suas províncias¿, devido ao crescimento dos gastos militares do país. No sábado, o vice-ministro das Relações Exteriores chinês, Dai Bingguo, pediu que os EUA parem de vender armamentos a Taiwan, considerada uma província rebelde por Pequim, mas sob proteção militar americana.