Título: Senado cria CPI para investigar repasse a ONGs
Autor: Vasconcelos, Adriana
Fonte: O Globo, 15/03/2007, O País, p. 10
Proposta chega à Mesa da Casa com o apoio de 74 senadores; oposição quer investigar petistas como Lorenzetti.
BRASÍLIA. A oposição decidiu ontem desengavetar o pedido de instalação da CPI das ONGs, que estava parado desde o fim do ano passado. O autor do requerimento, senador Heráclito Fortes (PFL-PI), protocolou a proposta na Mesa do Senado, com o apoio de 74 dos 81 parlamentares da Casa. A oposição vem tentando instalar a CPI das ONGs desde novembro do ano passado, depois de descobrir que Jorge Lorenzetti, um dos envolvidos no escândalo do dossiê contra os tucanos, seria um dos colaboradores da ONG Unitrabalho, que teria recebido R$18 milhões da União.
Diferentemente do que ocorreu semana passada na Câmara, onde o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), vem travando uma queda-de-braço com a oposição para evitar a instalação da CPI do Apagão Aéreo, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que não pretende impedir o funcionamento da CPI. O prazo inicial de trabalho será de 120 dias.
Segundo Jucá, a CPI das ONGs tem dois caminhos a seguir: pode se transformar num marco regulatório para definir os limites e as condições para a liberação de recursos públicos para essas organizações ou virar um palco político. Se prevalecer a segunda opção, ele adverte, nenhum governo será poupado.
PT quer investigar o Comunidade Solidária
O PT mesmo já está defendendo que as investigações sejam retroativas a 1999, o que pegaria o segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique. O objetivo dos petistas seria investigar as transferências feitas pelo Comunidade Solidária, que foi coordenado pela ex-primeira dama Ruth Cardoso.
- Não temos preocupação com essa investigação - disse Jucá.
Apenas sete senadores não assinaram o requerimento que propõe a criação da CPI, entre eles o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), Ideli Salvatti (PT-SC), José Néri (PSOL-PA), Patrícia Saboya (PSB-CE), Aloizio Mercadante (PT-SP), Maria do Carmo (PFL-SE) e Sérgio Guerra (PSDB-PE). Os dois últimos, segundo Heráclito, só não teriam assinado porque estão fora de Brasília.