Título: Cai a parcela do investimento público
Autor: Duarte, Patricia e Jungblut, Cristiane
Fonte: O Globo, 23/03/2007, Economia, p. 26
Com novas contas do IBGE, diminui percentual de gastos com infra-estrutura
Regina Alvarez
BRASÍLIA. A revisão do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2000 e 2005 puxou para baixo a participação dos investimentos públicos na economia, mostrando que os gastos com obras de infra-estrutura e equipamentos, entre outros, são ainda menores do que se supunha. A média de investimentos nesse período caiu de 0,81% do PIB para 0,73%. Nos três primeiros anos do governo Lula, a média também recuou, passando de 0,66% para 0,59% do PIB.
No Brasil, o setor público tem um peso muito pequeno na taxa de investimentos do país, cabendo uma parcela muito mais expressiva à iniciativa privada.
Desde 2000, os maiores desembolsos do governo federal com investimentos aconteceram em 2005, quando foram gastos R$18,3 bilhões. Esse valor correspondia a 0,95% do PIB, mas caiu para 0,85% com a revisão do valor nominal anunciada pelo IBGE. Já em 2003, quando houve o maior corte nos investimentos, foram gastos apenas R$6,3 bilhões, o equivalente a 0,37% do PIB, considerada a revisão do IBGE.
Segundo especialistas, o governo teria que investir em torno de 3% do PIB com recursos do Orçamento para dotar o país de uma infra-estrutura adequada. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ampliou os investimentos públicos, mas a parcela do Orçamento ainda é considerada insuficiente. Em 2007, o governo destinou R$20 bilhões para esses gastos, que poderão chegar a R$26 bilhões com a ampliação do Projeto-Piloto de Investimentos (PPI).
Para o economista Raul Velloso, especialista em contas públicas, um dado preocupante nos novos números do PIB é que o crescimento resultou do aumento do consumo das famílias e do governo, não dos investimentos:
- O gasto corrente do governo tem um peso no PIB maior do que se imaginava. Ele puxou o crescimento, não o investimento.
Na visão do economista, o crescimento do PIB dessa forma é bom a curto prazo, mas compromete o longo prazo, já que há uma demanda maior sem garantia da infra-estrutura e do aumento da capacidade produtiva do país. Velloso vê o risco de o aumento de consumo identificado pelo IBGE tornar as decisões do Banco Central sobre juros mais conservadoras, para evitar pressões de demanda e a volta da inflação.