Título: PR espera manter Portos para continuar a crescer
Autor: Lima, Maria e Vasconcelos, Adriana
Fonte: O Globo, 25/03/2007, O País, p. 11

Intenção de desmembrar os Transportes atrapalha planos do partido, que prometeu cargos a novos filiados.

BRASÍLIA. A cúpula do PR está em pé de guerra com o governo Lula para manter os cargos que imaginava que teria no Ministério dos Transportes, para onde deve retornar nesta semana o ex-ministro e atual senador Alfredo Nascimento (AM). A provável criação da Secretaria Nacional dos Portos, desmembrando este setor do Ministério dos Transportes, revolta o partido.

Com o ambicioso projeto de pular de 23 deputados eleitos para 50 até meados deste ano, os caciques do ex-PL já têm uma bancada de 39 - tendo como base de negociação o loteamento de cargos federais.

Aos novos integrantes, as promessas eram de que poderiam ter os comandos regionais do Dnit (ex-DNER) e dos portos. Alertado por aliados de que o inchaço do PR poderia levar a qualquer momento a um novo escândalo, o presidente Lula resolveu tirar um pouco do poder da pasta dos Transportes, solucionando um outro problema: atender, com a Secretaria de Portos, ao PSB do governador Eduardo Campos (PE), que perdeu a Integração Nacional.

O PR, contudo, não deve cumprir a ameaça de não aceitar a pasta sem as jóias do fisiologismo, as administrações dos portos, o que seria pior para os planos do partido.

No Ceará, o grupo do ex-governador Lúcio Alcântara (ex-PSDB) optou pelo PR. Ele pode trabalhar ao lado de Walfrido dos Mares Guia no Ministério das Relações Institucionais. Seu filho, Léo Alcântara, nomearia o comando da Companhia Docas de Fortaleza; o deputado Vicente Arruda indicaria o sobrinho Romeu Aldigheri para o Ibama; e o deputado Marcelo Teixeira levaria Pedro Wilton Clares para o Dnit.

Se a cartada não vingar, o deputado Valdemar Costa Neto (SP) pode perder o comando do Porto de Santos. Ele renunciou ao mandato anterior para não ser cassado no caso do mensalão. Evita aparecer, mas está por trás da articulação, vista como chantagem entre governistas.

Em Alagoas o PR terá dificuldades para segurar Maurício Quintela, ex-PSB e ex-PDT. Ele nega, mas teria acertado indicações para o Dnit e para o Porto de Maceió.

- Saí do PDT por questões regionais - justifica Quintela.

Na Bahia, o senador Antonio Carlos Magalhães(PFL-BA) acusa o ex-afilhado político José Rocha de ter trocado o PFL pelo PR de olho nos cargos:

- Já mudaram várias vezes a diretoria das Docas e vão mudar de novo. Por que ele deixaria o PFL depois de tantos anos?

O líder Luciano de Castro defende a prática:

- Não há nada ilegal em indicar uma pessoa qualificada a um cargo. Por que só cobram uma postura diferente do PR? Não oferecemos nada, mesmo porque ainda não temos nada.

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