Título: Números da violência em alta
Autor: Motta, Cláudio
Fonte: O Globo, 31/03/2007, Rio, p. 14
Homicídios e roubos a pedestres e em ônibus subiram no primeiro mês do novo governo.
Aviolência aumentou no primeiro mês do governo Sérgio Cabral. Os crimes com maior crescimento no estado, na comparação entre janeiro de 2007 e o mesmo mês do ano passado, foram roubo a pedestres (com mais 24,8%), roubo em ônibus (10,4%) e homicídio doloso (9,6%), de acordo com números do Instituto de Segurança Pública (ISP) divulgados ontem. Esses delitos estão entre os principais responsáveis pela sensação de insegurança e também foram os que mais subiram na capital, com, respectivamente, 22,6%; 31,6%; e 26,1%. No Centro, o roubo a transeuntes cresceu 67,9%; o roubo em ônibus, 33,3%; e o roubo a estabelecimentos comerciais, 30,8%. Além disso, o número de pessoas mortas em confrontos com a polícia é 77,2% maior: 117 em janeiro de 2007 contra 66 no mesmo período de 2006.
Os dados da apresentação do ISP - que passou a contar os casos de balas perdidas, aumentou de dez para 21 o número de crimes analisados e passou a acompanhar cinco itens da atividade policial (como o número de armas e drogas apreendidas, por exemplo) - não agradaram ao secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, mas também não o surpreenderam. Ele afirmou que não mudará a política de segurança no Rio.
- Os dados não são bons, mas estamos falando de um mês de transição. Temos que considerar os atos violentos que precederam nossa chegada, os ataques que começaram em 28 de dezembro - disse.
Para explicar o aumento do número de pessoas mortas em confrontos com policiais, o secretário afirmou que a polícia está mais ativa, combatendo os grupos armados nos locais onde os armamentos estão mais concentrados.
- A polícia cumpre sua função e há o confronto. Infelizmente a solução não é boa, é traumática. Saímos de uma polícia reativa para uma ativa. Seria mais fácil esperar as situações acontecerem, mas nós agimos antes.
Cabral está otimista com os resultados
Sérgio Cabral deu justificativa semelhante para comentar o aumento do índice de homicídios, que, no estado, passou de 480 em janeiro do ano passado para 526 no mesmo mês de 2007. O governador está otimista quanto à redução da insegurança.
- Esses índices revelam nossa ação de enfrentamento e combate à criminalidade. Eles tendem a baixar ao longo do nosso mandato. Eu tenho que olhar a política de médio e longo prazo na área da segurança pública. Estou certo de que teremos resultados extraordinários - afirmou.
Para o sociólogo Ignácio Cano, especialista em estudos sobre violência, o mais marcante na divulgação dos dados é o fato de que, entre os três crimes que mais cresceram, dois são os que acontecem nas ruas (roubo a pedestres e em ônibus).
- Esse tipo de crime é pulverizado e, por isto, difícil de combater. Acontece em todas as áreas da cidade. Se o policiamento nas áreas com maior incidência de roubo a pedestre é reforçado, os bandidos migram para outro local. É impossível ter um policial em cada lugar - diz o sociólogo.
Para ele, a solução para combater esses crimes é a prevenção, com o engajamento de jovens carentes em projetos sociais. O aumento de homicídios foi classificado por Cano como preocupante:
- Tem que ter uma investigação mais profunda dos homicídios para que se chegue sempre aos culpados.
Entre os três delitos que tiveram maior redução percentual no estado, quando comparados ao mesmo mês do ano anterior, encontram-se: extorsão (decréscimo de 16,3%), lesão corporal dolosa (14,3%) e homicídio culposo de trânsito (13,9%).