Título: FAO: combustível não afeta alimentos
Autor: Franco, Ilimar
Fonte: O Globo, 26/04/2007, Economia, p. 26
Segundo órgão da ONU, fome se deve à falta de dinheiro e não de comida.
SANTIAGO. A Organização para Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO) vai entrar na briga entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Hugo Chávez (Venezuela) e Fidel Castro (Cuba) sobre a produção de biocombustíveis. Um estudo que será entregue hoje a Lula, durante reunião com José Graziano, representante do organismo na América Latina, diz que o desenvolvimento de etanol e biodiesel não prejudica a produção de alimentos, ao contrário do que pregam Chávez e Fidel.
A intenção da FAO, segundo Graziano, é "desideologizar" o debate sobre a produção de biocombustível, também defendida pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, adversário político de Chávez e Fidel.
Graziano defende a mesma tese do governo brasileiro: a fome é resultado da falta de dinheiro para comprar comida e não da baixa produção de alimentos:
- Não há conflito entre a expansão da produção de biocombustível e a oferta de alimentos. O aumento de preços é resultado da falta de planejamento, mas isso se resolve - disse Graziano. - As pessoas passam fome porque não têm renda.
A posição da FAO atende a uma provocação do governo brasileiro, que encaminhou uma carta ao diretor-geral do organismo, Jaques Diouf, pedindo uma opinião sobre a produção de biocombustíveis. A carta foi entregue em Roma, pelo ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário), que participa de encontro sobre agricultura.