Título: Empresa de caça-níqueis faturava até R$800 mil por mês, diz sócio na Justiça
Autor: Rocha, Carla
Fonte: O Globo, 01/05/2007, Rio, p. 9
Pagamento pelo aluguel de máquinas era feito em espécie, segundo depoimento
Suspeito de ser sócio do Bingo Icaraí, em Niterói, Licínio Soares Bastos, preso durante a Operação Hurricane, da Polícia Federal, prestou depoimento ontem à juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Criminal Federal. Ele é um dos 28 acusados de integrar a máfia dos caça-níqueis que, segundo investigação da PF, comprava liminares que autorizavam a exploração do jogo e de casas de bingo.
Também prestaram depoimento ontem Belmiro Martins Ferreira (sócio da empresa Betec Games juntamente com seu irmão, José Renato Granado) e Laurentino Freire dos Santos. Foi por intermédio da Betec que a organização impetrou mandado de segurança no Tribunal Regional Federal da 2ª Região para a liberação de 900 máquinas apreendidas. O negócio envolveu R$1 milhão, que teria sido entregue, segundo a PF, ao desembargador federal José Eduardo Carreira Alvim, com a intermediação de seu genro, o advogado Silvério Nery Júnior, que está preso.
Belmiro disse em seu depoimento que a Betec tem cerca de mil máquinas e, no auge, faturava de R$600 mil a R$800 mil por mês. Ainda segundo Belmiro, a empresa aluga caça-níqueis para quase todos os bingos do Rio e normalmente recebe o pagamento em dinheiro, dentro de um envelope - raramente, em cheque.
Já Laurentino disse que foi sócio dos bingos Icaraí e Bora. Afirmou ainda ter participação societária em nove hotéis e motéis. Sobre os US$115 mil dólares encontrados em sua casa, alegou que a quantia seria para pagar a cirurgia de um empregado.
Licínio disse ser dono de uma empresa de transportes. Afirmou ainda que, até 2002, foi procurador de uma empresa americana, cotista do Bingo Icaraí. Sobre uma anotação encontrada durante a Operação Hurricane, informando que ele seria sócio do Bingo Icaraí, alegou não saber por que seu nome foi citado.
Em depoimento na Justiça Federal, em 26 de abril, o bicheiro Aniz Abrão David, o Anísio, disse que nunca ouvira falar de Licínio ou Laurentino. Afirmou ainda que, na carceragem, havia conversado com Laurentino e soube que se tratava de uma pessoa com boa situação financeira. Disse também ter achado engraçado que determinado jornal tenha citado Laurentino como "laranja" de Anísio e que Laurentino seria mais rico que ele. O depoimento foi tomado pela juíza Ana Paula Vieira de Carvalho.