Título: `Há perdedores e vencedores¿
Autor: Rodrigues, Luciana e Almeida, Cássia
Fonte: O Globo, 17/05/2007, Economia, p. 28
Para a americana Jane Skanderup, do Center for Strategic & International Studies (CSIS), o protecionismo é uma reação à dificuldade de lidar com novas tecnologias. ¿A culpa é injustamente atribuída ao comércio¿, afirma.
Luciana Rodrigues
Como os países ricos estão reagindo à exportação de serviços?
JANE SKANDERUP: É um tema muito debatido em Washington. O Congresso exigirá, para renovar a TPA (autoridade especial que permite ao Executivo negociar acordos comerciais), que os países que fazem acordos com os EUA tenham um padrão mínimo de leis trabalhistas. Debatemos na nossa sociedade, assim como na Índia ou no Brasil, a desigualdade da globalização.
Cláusulas trabalhistas são protecionismo disfarçado?
SKANDERUP: A desigualdade, em qualquer economia, não vem tanto do comércio, e sim de avanços tecnológicos muito rápidos. Os trabalhadores em vários países não estão preparados, porque as políticas governamentais não são adequadas para lidar com as demandas da nova economia. O que todos precisam fazer, e os EUA não são exceção, é proporcionar aos trabalhadores treinamento mais bem financiado e mais bem adaptado.
A globalização do trabalho é inevitável?
SKANDERUP: Sim, e deve ser bem-vinda, porque vai melhorar as condições gerais de vida dos cidadãos. Mas há perdedores e vencedores. Nos EUA, há um crescente consenso de que o governo precisa ser mais responsável em ajudar os perdedores a reconquistar suas habilidades competitivas. Somos muito bons em produzir tecnologia, mas não muito em preparar os trabalhadores.
Questões como custos trabalhistas influem na atração de investimentos?
SKANDERUP: Os governos devem ter um equilíbrio entre competitividade de sua mão-de-obra e necessidades sociais. A base tributária é a fonte de receitas para proteger os que perderão no processo de globalização.