Título: Governo avalia nova meta de inflação
Autor: Eloy, Patricia
Fonte: O Globo, 29/05/2007, Economoa, p. 20

Previsão mais baixa afetaria política de redução da taxa de juros pelo BC

BRASÍLIA. A perspectiva de que a inflação feche 2007 abaixo da meta pelo segundo ano consecutivo levou a equipe econômica a estudar a conveniência de manter a projeção oficial nos atuais 4,5%. O debate nos ministérios da Fazenda e do Planejamento e no Banco Central (BC) é se o governo precisa baixar a meta dos próximos anos para dar um sinal ao mercado ou se os indicadores da economia - como reservas elevadas e baixo risco-país, que têm impacto indireto na inflação por afetar o câmbio e a política de juros - já são suficientes para consolidar o processo de estabilidade dos preços.

Uma eventual redução da meta para 4%, por exemplo, poderia fazer com que as expectativas do mercado convergissem para uma inflação mais baixa, ajudando o BC a manter o processo de redução das taxas de juros a longo prazo. A confiança dos agentes econômicos na trajetória de inflação é fundamental nas decisões do BC.

Há, porém, no governo quem acredite que o país já conseguiu consolidar essas expectativas por meio de indicadores favoráveis, sem que seja preciso sinalizar com a meta. O temor desse grupo é que o BC, ao contrário, fique mais conservador com uma diminuição da margem de manobra de cumprimento da meta, caso um imprevisto aumente a pressão sobre os preços.

- Estamos avaliando os riscos e benefícios de se mexer na meta - disse um técnico.

A meta de 2009 será definida no fim de junho em reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), formado por Fazenda, Planejamento e BC. No mesmo encontro, também será confirmada ou ajustada a meta de 2008, que é de 4,5%, com dois pontos percentuais de tolerância para baixo ou para cima.

Entre as possibilidades consideradas pela equipe econômica para 2009 está a manutenção da meta em 4,5%, mas reduzindo a margem de tolerância. Também se considera a redução do centro da meta, mantendo a margem de dois pontos percentuais, ou mesmo de reduzir tanto o centro quanto a banda.

O BC tem dado sinais de que gostaria de uma meta mais baixa - como na prática já vem perseguindo. No ano passado, a inflação medida pelo IPCA fechou o ano em 3,14%, quando a meta era de 4,5%. Já este ano, as expectativas são de que a inflação fique em 3,5%. O presidente do BC, Henrique Meirelles, tem dito que as metas de outros países emergentes são bem mais baixas. Na Fazenda a posição é mais cautelosa. O ministro Guido Mantega defendia uma meta de 4,5%, mas tem evitado comentar o assunto.