Título: PF prende 22 por contrabando na fronteira
Autor: Carvalho, Ana Paula de
Fonte: O Globo, 29/05/2007, Economia, p. 22
Três são policiais, acusados de ajudar quadrilha que trazia mercadorias do Paraguai através do lago de Itaipu.
CURITIBA. A Polícia Federal em Foz do Iguaçu desarticulou ontem uma quadrilha especializada no contrabando de mercadorias através do lago de Itaipu, na fronteira do Brasil com o Paraguai. Na operação, foram presas 22 pessoas em 11 municípios do oeste do Paraná, entre elas dois policiais militares, sendo um exonerado da corporação há um ano, e um policial civil. Outro policial civil acusado de participar do esquema ainda está foragido.
- Os policiais ajudavam a escoltar as cargas nas estradas e até cobravam propina para liberar as mercadorias apreendidas - informou o delegado responsável pela operação, Alexander Noronha Dias.
Ao todo, participaram 157 policiais federais na operação "Ouro Negro". Foram expedidos 43 mandados de busca e apreensão, entre barcos, motos, carros de luxo, armas, dinheiro, documentos e diversas mercadorias contrabandeadas. Dos 29 mandados de prisão, a polícia está atrás de uma pessoa em Mato Grosso do Sul, que distribuía as mercadorias naquela região.
As investigações tiveram início em outubro de 2005. Desde então, foram realizados 21 flagrantes relacionados à atuação desse grupo, resultando na apreensão de R$2,3 milhões em mercadorias.
Inicialmente, os policiais acharam que a quadrilha fosse especializada no contrabando de pneus - por isso, o nome "Ouro Negro". Após monitoramento, descobriu-se que os contrabandistas traziam também equipamentos de informática, eletroeletrônicos (muitos deles fabricados na China), cigarros e agrotóxicos.
- Eles usavam a logística que já existia até para transportar drogas através do lago de Itaipu - disse o delegado.
Produtos eram guardados por pequenos proprietários
Dias afirmou que as mercadorias eram compradas em grande quantidade no Paraguai, e depois transportadas em barcos e balsas pelo lago de Itaipu, cuja extensão é de 170 quilômetros em uma área de 1.350 quilômetros quadrados.
- No lado brasileiro, os criminosos cooptavam pequenos proprietários rurais, que estocavam as mercadorias. Depois, faziam o transporte em caminhões com fundos falsos para distribuição no país, especialmente em cidades de Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul - disse.
O delegado expôs uma situação crítica em Foz do Iguaçu. Após a melhoria do aparato de fiscalização por terra, com a inauguração da aduana, onde Polícia Federal e Receita apertaram o cerco contra o contrabando, os criminosos alteraram sua rota.
- Com a inauguração da nova aduana, os criminosos mudaram a logística, numa área de maior extensão, como a do lago de Itaipu, onde a fiscalização é mais difícil, seja na locomoção por terra seja no pouco efetivo policial no local - admitiu Dias.
O lago de Itaipu, que fica no entorno da hidrelétrica do mesmo nome, banha 16 pequenos municípios do Paraná.