Título: Presidente da Vale diz que energia limita projetos
Autor: Novo, Aguinaldo
Fonte: O Globo, 30/05/2007, Economia, p. 25

Companhia pode adiar investimentos em alumínio e níquel. Segundo Agnelli, país precisa aumentar geração.

SÃO PAULO. Segunda maior mineradora do mundo, a Vale do Rio Doce ameaça adiar novos investimentos nas áreas de alumínio e níquel a partir de 2012 e 2013, devido às incertezas sobre a oferta de energia elétrica no Brasil. A afirmação foi feita ontem pelo presidente da companhia, Roger Agnelli, durante o III Fórum Globo News, que discutiu o tamanho do Estado e os desafios para o desenvolvimento.

- É preciso aumentar a geração. Na próxima década, os investimentos estão limitados pela disponibilidade de energia. Insumo que, aliás, não é barato. Pagamos até US$90 pelo megawatt - afirmou.

Segundo Agnelli, o problema reflete o emaranhado de regras que cercam a concessão de licenças ambientais para novos projetos no país. Ele lembrou que uma liminar judicial impede a continuidade das obras da usina hidrelétrica de Estreito, projeto no Maranhão que tem Vale, Suez Energy, Alcoa e Camargo Corrêa como sócios.

- Não há dúvida de que temos de respeitar o meio ambiente. O que não dá é para ficar discutindo, porque lá na frente vamos ter um problema de energia grave. É preciso criar regras claras, simples e objetivas para serem cumpridas - afirmou Agnelli, para dizer em outro momento: - Nem o presidente Lula consegue licenciar o Madeira (referência ao complexo hidrelétrico do Rio Madeira, em Rondônia).

Para contornar o problema, Agnelli disse que decidiu dar prioridade a projetos que consumam menor energia, caso da mina de cobre de Salobo, no Pará. Mesmo o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) - que tem R$274 bilhões para investimentos em projetos energéticos, de um total de R$504 bilhões - não parece entusiasmar o empresário.

- Só intenção não dá. Falta planejamento - criticou.

Ministro do Planejamento volta a descartar apagão

Também convidado para o seminário, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, respondeu que houve "certo exagero" nas declarações de Agnelli. Mas concordou que existe necessidade de iniciar um debate sobre a diversificação da matriz energética do país - o que inclui, segundo ele, projetos na área nuclear.

- Acho que há um certo exagero. Ninguém acredita que o Roger Agnelli está parando de fazer investimentos. Agora, de fato, acho que nós sempre temos de ouvir essas vozes como um alerta. Não dá para achar que está tudo perfeitamente em ordem, que nós não precisamos nos preocupar - disse Paulo Bernardo.

O ministro lembrou que estão em construção pequenas hidrelétricas que devem acrescentar cerca de nove mil megawatts em até quatro anos, algo como 12% da atual capacidade instalada. Ele voltou a descartar riscos de um apagão, mas ressaltou que é preciso "um trabalho permanente".

- Até 2011, não teremos problemas. Mas é preciso construir hoje a energia extra para o crescimento sustentável além de 2011 - disse o ministro.

Ele não acredita que o assunto leve a uma queda generalizada de investimentos.

- O ambiente de negócios precisa melhorar, mas já é muito favorável.