Título: Média de 36,4 para conteúdos específicos
Autor: Weber, Demétrio
Fonte: O Globo, 01/06/2007, O País, p. 2
BRASÍLIA. A nota média na prova de conteúdos específicos no Enade 2006, teste substituto do extinto Provão, foi de 36,4, na escala de 0 a 100. Isso equivale à nota 3,64, na escala tradicional de 0 a 10. Essa prova avalia o desempenho do aluno em temas da sua área. Já no teste de conhecimentos gerais, igual para os universitários das 15 áreas do conhecimento avaliadas no Enade, a média foi de 45,4. Ou seja, também abaixo da nota 5, na escala tradicional.
Os resultados do Enade 2006 foram divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). De 3.894 cursos de graduação avaliados, apenas 198 (5%) atingiram a nota máxima 5, enquanto 1.085 (27,9%) foram reprovados com os conceitos 1 e 2.
Diferentemente do Provão, que só avaliava formandos, o Enade é feito por quem está terminando o curso e por quem acabou de ingressar. Em cada área, a prova de conteúdos específicos é igual para calouros e formandos. O teste de formação geral é o mesmo para todos os participantes do exame.
Os alunos de psicologia, calouros e formandos, alcançaram a média geral mais alta no teste específico, 46,3. Os de design obtiveram 46,1. A nota mais baixa ficou com os estudantes de ciências contábeis: 25,7. Os cursos de administração, que concentram o maior número de matrículas no país, obtiveram 36,2. Os de direito, 35,5. Todas as 15 áreas tiraram notas abaixo de 50.
Considerados só os formandos, a nota média nacional no teste específico foi de 41,8 pontos. A dos calouros, 32,9. Apenas os concluintes de design e psicologia ultrapassaram 50 pontos, com 52,8 e 52,7.
Em conhecimentos gerais, a maior média foi a dos estudantes de arquivologia, com 50,7. Foram os únicos a passar os 50 pontos. A área tem uma peculiaridade: os nove cursos avaliados são de universidades públicas, que costumam ter melhor desempenho do que as privadas. Administração ocupa o último lugar, com média 42,1. Entre os concluintes, a média nacional foi 47,2, contra 44,2 dos ingressantes. Só os formandos de quatro áreas somaram mais do que 50 pontos: arquivologia (52,1), turismo (51,1), direito e design (ambas com 50,4).
O presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, disse que as notas médias abaixo de 50 não significam que a maioria dos cursos tenha sido reprovada. Segundo ele, o Enade aponta quais os cursos tiveram as melhores e piores médias, mas é incapaz de revelar quais efetivamente são os bons e os ruins.
Mesmo que a nota média fosse 95 (e não 36,4), ainda haveria cursos com conceitos 1 e 2. Isso porque o Enade distribui os cursos a partir da média dos alunos. Quem fica no topo tira 5; na linha mais baixa, 1. Fernandes diz que o grau de dificuldade das provas também pode variar entre as áreas do conhecimento.
- Se todos os cursos forem bons ou ruins, ainda vai haver conceitos 1 e 5. Depende da dificuldade dos itens - afirmou Fernandes.(D.W)