Título: Só 1% dos cursos têm nota máxima
Autor: Weber, Demétrio
Fonte: O Globo, 01/06/2007, O País, p. 2
RETRATO DA EDUCAÇÃO
Das 3.894 faculdades avaliadas pelo MEC, só 45 alcançaram duplo conceito 5.
Apenas 45 dos 3.894 cursos universitários avaliados no último Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade 2006) - o equivalente a 1,15% do total - receberam o conceito máximo 5 na prova e também no índice que mede a contribuição direta de cada curso para a formação dos estudantes, o chamado Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD). Cinco deles são do Rio. Na ponta de baixo, 15 cursos (0,38%) tiraram nota 1, a mais baixa, no conceito Enade e no IDD, sendo um do Rio - o curso de psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF).
O desempenho dos universitários em início e fim de curso na prova específica sugere que a faculdade agrega pouco conhecimento aos estudantes. Casos como o do curso de psicologia da UFF, porém, podem estar ligados ao boicote dos alunos, que entregam a prova em branco e não sofrem qualquer conseqüência direta por conta disso.
Nos cursos de cinema, ocorreu algo preocupante: os formandos tiraram nota média inferior à dos calouros - 36,2 contra 38,7, na escala de 0 a 100. A inversão surpreende porque as provas são iguais para todos os estudantes de cada área. Enquanto os ingressantes cursaram apenas de 7% a 22% dos créditos, os concluintes já cumpriram mais de 80% do currículo.
Cinema é uma das seis subáreas de Comunicação Social avaliadas no Enade e foi uma exceção. Nas demais 14 grandes áreas, os formandos sempre tiraram médias mais altas do que os calouros, ainda que a situação inversa possa ter ocorrido isoladamente em determinados cursos.
Indicador divide especialistas
A menor diferença ocorreu na área de formação de professores, os chamados cursos normais superiores, que preparam os futuros docentes da 5ª à 8ª série do ensino fundamental e do ensino médio. A nota dos ingressantes na prova específica foi 39,6, contra 43,7 dos concluintes, uma diferença de apenas 4,1 pontos (10,3%). Na biomedicina, a maior diferença: de 30,7 para 43,8, um salto de 13,1 pontos (42,6%) a favor dos formandos.
- Todas (as diferenças) foram significativas estatisticamente - disse o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Reynaldo Fernandes.
O IDD é calculado a partir da média dos calouros. Com base nela, o Inep projeta qual seria a nota desses alunos, no Enade, ao final do curso. A nota projetada é comparada à média obtida pelos atuais concluintes. Quanto mais a nota dos concluintes ficar acima da projeção, maior será o IDD.
O indicador tenta medir o grau de conhecimento agregado pelas instituições de ensino. Sua criação era reivindicada, na época do Provão, por donos de instituições particulares. Eles diziam que as universidades públicas tiravam notas maiores porque tinham vestibulares mais competitivos e, portanto, já recebiam alunos com melhor preparo.
O IDD divide opiniões entre especialistas. Há quem discorde da comparação de resultados de turmas diferentes, argumentando que ela deveria levar em conta as notas das mesmas pessoas - primeiro como ingressantes e, três ou quatro anos depois, como concluintes. O Inep afirma que o IDD é válido e reflete o papel da instituição na formação dos estudantes.
Fernandes disse que as faculdades com duplo conceito 5 conseguem simultaneamente formar os melhores alunos e, ao longo do curso, ensinar-lhes muita coisa:
- A contribuição da escola para os alunos muito bons é muito alta.
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