Título: Dólar cai para R$1,925, menor nível desde 2000
Autor: Eloy, Patricia e Passo, José Meirelles
Fonte: O Globo, 01/06/2007, Economia, p. 25
Mantega diz que queda está relacionada ao ingresso de até US$6 bilhões em recursos da Arcelor Mittal no país.
RIO, BRASÍLIA e WASHINGTON. A forte entrada de recursos estrangeiros no país, os bons fundamentos da economia brasileira e as pesadas apostas dos investidores internacionais numa queda do dólar levaram ontem a cotação da moeda americana a encerrar os negócios no menor patamar desde novembro de 2000. Neste cenário, segundo analistas, o dólar pode chegar a R$1,90 nos próximos dias.
A moeda recuou 0,88% ontem, cotada a R$1,925 - menor valor desde 21 de novembro de 2000 -, próxima à mínima do dia, de R$1,923, atingida após um leilão de compra de dólares no mercado à vista pelo Banco Central (BC). Estima-se que a autoridade monetária tenha adquirido pouco mais de US$400 milhões.
Dinheiro da Mittal seria para recompra de ações
O leilão não conseguiu frear as apostas de investidores estrangeiros numa queda do dólar, hoje em cerca de US$16 bilhões no mercado futuro. No início do ano, esse tipo de operação movimentava cerca de US$6 bilhões. Por isso, em maio, a moeda acumula queda de 5,4%. No ano, as perdas chegam a 9,92% frente ao real.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, atribuiu a queda do dólar ao ingresso de recursos da siderúrgica Mittal no Brasil - entre US$5 bilhões e US$6 bilhões, que serão usados para pagar os acionistas. O forte fluxo de recursos tende a empurrar a cotação do dólar para baixo.
- O dólar é flutuante, agora ele está flutuando para baixo, como pode flutuar para cima. Eu quero dizer que ele não flutua só para baixo, me cobrem isso futuramente - disse Mantega.
Os recursos trazidos pela Mittal ao país seriam para arcar com o leilão de recompra de suas ações no mercado brasileiro, marcado para a próxima segunda-feira. A intenção da empresa é retirar seus papéis de circulação do mercado e, assim, fechar capital no país. Analistas acreditam que a recompra pode ser de 60% a 70% das ações. Se a empresa conseguir que todos os investidores vendam seus papéis, estima-se que a operação movimente pouco mais de R$10 bilhões.
Nos demais mercados, investidores aproveitaram os seguidos recordes para garantir o lucro recente. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 0,49%. Já o risco-Brasil avançou 0,69%, para 145 pontos centesimais.
IIF: emergentes receberão US$194 bi em investimentos
Os investimentos líquidos diretos nos países emergentes este ano chegarão a um volume recorde de US$194 bilhões - US$58 bilhões serão dirigidos à China, que receberá, sozinha, mais do que toda a América Latina onde, em 2007, o volume atingirá US$42 bilhões.
Desse total, a maior parte entrará no Brasil (cerca de US$15 bilhões) e no México (US$14 bilhões). Além disso, o Brasil obterá aproximadamente US$12 bilhões, líquidos, por meio de aplicações em Bolsas, além de dois terços de todos os fluxos enviados por credores não bancários. As estimativas foram divulgadas ontem pelo Institute of International Finance (IIF), entidade que reúne os 350 maiores bancos do mundo.
(*) Correspondente COLABOROU Mônica Tavares