Título: Ocupação na USP faz um mês
Autor: Weber, Demétrio
Fonte: O Globo, 04/06/2007, O País, p. 3
Alunos continuam na reitoria, e funcionários planejam piquetes.
SÃO PAULO. A ocupação da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) por um grupo de alunos completou ontem um mês, e a previsão é de que os protestos continuem por pelo menos mais duas semanas. Mesmo se a Polícia Militar esvaziar o prédio ou os estudantes decidirem, por conta própria, acabar com o movimento, os funcionários da universidade já definiram, em assembléia geral, que organizarão piquetes para continuar impedindo o trabalho na reitoria.
"Reitora não nos atendeu", diz diretor de sindicato
Desde o início das manifestações, a reitora Suely Vilela despacha em diferentes prédios do campus universitário. Ela marcou para hoje nova reunião com um grupo de alunos para tentar pôr fim à invasão. O diretor do Sindicato dos Funcionários da USP, Jaime Araújo, disse que o protesto da categoria continuará até que a pauta de reivindicações seja atendida.
- Se os alunos acabarem com o protesto, nós (funcionários) manteremos piquetes na porta da reitoria e ninguém entra ou sai nas próximas duas ou três semanas. A reitora, até agora, não nos recebeu e nem deu qualquer sinal de que analisou as nossas propostas - disse Araújo.
Os funcionários pretendem ainda fechar amanhã o portão principal da Cidade Universitária, impedindo o acesso de professores, alunos e funcionários que estariam freqüentando o campus à revelia do comando de greve.
Em 2004, lembra o sindicalista, os funcionários da USP realizaram piquete em frente à reitoria por 64 dias. A polícia foi acionada para que o então reitor, Adolpho José Melfi, pudesse entrar diariamente no prédio. Quatro anos antes, em 2000, a manifestação dos funcionários fez com que o reitor Jacques Marcovitch ficasse 22 dias despachando e dormindo no gabinete, até que a greve terminasse.
- Infelizmente, a direção da universidade só nos ouve quando chegamos ao extremo - diz Araújo.
Estudantes passam fim de semana em alerta para ação da PM
Depois de uma assembléia que reuniu cerca de 300 dos 82 mil alunos da universidade, na sexta-feira, os estudantes permaneceram no final de semana em estado de alerta para uma possível intervenção da PM. Ainda assim, eles procuraram relaxar. No sábado, o cantor Tom Zé fez show em frente à reitoria. Ainda estava programada para ontem à noite uma festa junina em que se encenaria um casamento entre a reitora Suely e o secretário estadual de Ensino Superior, José Aristodemo Pinotti.