Título: Bolsa cai e dólar sobe no Brasil após mercado da China despencar 8,26%
Autor: Scofeild Jr., Gilberto e Eloy, Patricia
Fonte: O Globo, 05/06/2007, Economia, p. 26

Moeda fecha em alta de 1,15%. Queda em Xangai é a maior desde fevereiro.

PEQUIM, RIO, SÃO PAULO e BRASÍLIA. A queda de 8,26% da Bolsa da China - devido à decisão do governo, na semana passada, de ampliar a taxação sobre operações com ações para conter uma eventual bolha - gerou ontem um efeito dominó nos mercados globais. A onda de venda nos ativos chineses impôs um clima de cautela aos negócios em todo o mundo, especialmente após os recordes da última semana. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou a cair mais de 1,4% pela manhã, mas reduziu as perdas para 0,34% no fechamento. O dólar subiu 1,15%, para R$1,928.

A expectativa em torno do resultado, amanhã, da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) reforçou a cautela nas operações. O mercado estima que a taxa básica Selic poderá cair em 0,5 ponto percentual, chegando a 12% ao ano, interrompendo a sucessão de três reuniões com cortes de 0,25 ponto. A pesquisa Focus do Banco Central (BC), divulgada ontem, mostra ainda que os analistas esperam que as quedas continuem, com a taxa encerrando dezembro a 10,75%.

Mercado da China já perdeu US$350 bilhões de seu valor

Na China, a queda da Bolsa de Xangai foi a maior desde 27 de fevereiro, quando um baque de 8,84% provocou uma onda de vendas de papéis em todo o mundo. Os investidores chineses temem novas medidas de desestímulo ao mercado acionário do país.

Só 25 de 1.400 ações negociadas nos pregões de Xangai e Shenzhen subiram, sendo que pelo menos 800 chegaram a cair acima do limite diário de 10% permitido pelas autoridades do mercado, interrompendo os negócios com esses papéis. Nos últimos quatro dias úteis, desde que o governo de Pequim decidiu triplicar a taxa cobrada nas operações com papéis em bolsas, o mercado acionário da China já perdeu US$350 bilhões de seu valor.

Não adiantou nem mesmo o governo da China negar que pretenda aplicar novas medidas de desaquecimento ao mercado acionário. Os chineses estão ressabiados. Afinal, em 22 de maio, o Ministério das Finanças da China havia negado um aumento na taxação dos papéis, que acabou subindo de 0,1% para 0,3% uma semana depois.

Bolsa movimenta volume recorde de R$15 bilhões

Nos EUA, o efeito China fez as bolsas chegarem a recuar mais de 0,30%. Mas a queda atraiu compradores, e os índices Dow Jones e S&P 500 registraram recordes históricos. O primeiro avançou 0,06%, para 13.676 pontos, e o segundo, 0,18%, para 1.539 pontos. No Brasil, a Bovespa movimentou o volume inédito de R$15,025 bilhões. Do total, R$10,31 bilhões referem-se ao leilão de compra de ações ordinárias da Arcelor Brasil. A oferta teve a adesão de cerca de 80% dos acionistas, que receberão R$53,89 por papel, de acordo com as expectativas de analistas.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou ontem a escolha do economista Arno Augustin para comandar o Tesouro Nacional. Augustin vai substituir Tarcísio Godoy, que ocupava o cargo de secretário interino desde a saída de Carlos Kawall do governo, no fim do ano passado. Segundo Mantega, Godoy voltará a ser secretário-adjunto do Tesouro.

(*) Correspondente

COLABORARAM Patrícia Duarte e Aguinaldo Novo