Título: Etanol: Brasil e Índia estudam parceria
Autor: Magalhães-Ruether, Graça
Fonte: O Globo, 05/06/2007, Economia, p. 29

Às vésperas de participar do G-8, Lula critica protecionismo de países ricos.

NOVA DÉLHI. A cúpula do governo brasileiro deixa hoje a Índia, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em visita oficial desde domingo, confiante de que poderá fechar com o governo indiano uma parceria para aumentar a produção de etanol no país, com o uso da tecnologia brasileira. A proposta é que o parceiro de G-20 aumente de 5% para 10% o percentual de etanol já misturado à gasolina em nove estados ou mantenha os 5% em todos os 27 departamentos indianos.

Uma primeira conversa direta sobre o assunto foi mantida ontem entre Lula, o ministro de Petróleo e Gás da Índia, Murli Deora, e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Ao fim do encontro, Lula estava exultante:

- Se depender do meu entusiasmo, todo o mundo vai entrar na era do biocombustível. O mundo todo vai entrar. Para mim, é irreversível.

O principal acordo assinado na visita oficial - a parceria entre a Petrobras e a empresa petrolífera indiana ONGC - prevê investimentos iniciais de US$2 bilhões. A Petrobras vai explorar três blocos de petróleo em águas profundas na Costa Leste da Índia. A ONGC vai explorar outros três no Brasil.

Às vésperas de embarcar para a Alemanha, onde participará, como convidado, da reunião do G-8, Lula fez um agressivo discurso contra o protecionismo e a hegemonia dos países ricos na inauguração do Fórum Empresarial Brasil-Índia:

- Quando criamos o G-20 não foram poucas as críticas que recebemos daqueles que imaginavam que não seria possível mudar. A lógica do mundo nos impunha que os Estados Unidos e a União Européia eram referências para o Brasil, para a Índia, para a América Latina, África do Sul e Ásia. Mas o que muita gente não percebeu ainda é que o mundo mudou muito.

Durante a visita, Lula e o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, assinaram sete acordos para cooperação em questões alfandegárias (um entrave indiano) e nas áreas de audiovisual, serviços de satélites e pesquisas econômicas, entre outros.