Título: Rio tem 2º maior índice de gasolina adulterada
Autor: Ordoñez, Ramona
Fonte: O Globo, 06/06/2007, Economia, p. 34
No estado, são 7,3%, mas percentual chega a 14% em Petrópolis. Pernambuco tem 8%, e média nacional é de 3,4%.
O Rio é o segundo estado com maior percentual de gasolina adulterada no país, superado apenas por Pernambuco. A informação foi dada ontem pelo superintendente de Fiscalização da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Jefferson Paranhos. Segundo dados do Programa do Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis da agência, 7,3% da gasolina vendida no Rio no período de fevereiro a abril tinham adulteração. Na média nacional, 3,4% da gasolina coletada para testes estavam fora das especificações, ou seja, adulterada. Em Pernambuco, a adulteração chegava a 8%.
O superintendente disse que a ANP vai intensificar a fiscalização no Rio, principalmente nos municípios com níveis elevados de adulteração. Em Petrópolis, por exemplo, a média da gasolina adulterada era de 14,1%; em Campos, de 11,3%; e na Baixada Fluminense, de 11,1%.
- Vamos apertar o cerco à fraude dos combustíveis, principalmente nessas regiões onde os níveis são maiores - disse Paranhos.
Posto no Rio é fechado por vender gasolina adulterada
Ontem, três equipes de fiscalização da ANP inspecionaram 13 postos no Rio, um dos quais foi interditado porque vendia gasolina com mais álcool do que os 23% permitidos por lei. A ação contou pela primeira vez com a participação da Secretaria estadual do Ambiente, da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente e do Instituto de Criminalística Carlos Éboli.
O posto Chris, de bandeira branca (sem vínculo com qualquer distribuidora), situado em Ramos, foi interditado, e suas bombas, lacradas pela ANP, por vender gasolina com percentuais de álcool que variavam de 32% a 25%. Além do superintendente da ANP, estava presente o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc. Ele constatou uma série de irregularidades nas instalações que se enquadram na lei de crimes ambientais. O gerente do posto foi preso. O dono do estabelecimento fugiu.
A adulteração de combustíveis tem causado danos a consumidores. A nutricionista Rita de Cássia Conde Tavares teve um grande prejuízo com seu Corsa, que tem apenas quatro meses de uso, por causa de gasolina adulterada:
- O catalisador foi condenado e teve de ser trocado. Foi detectado que o defeito surgiu devido ao uso de gasolina adulterada. A garantia não cobriu o reparo, pois eram problemas causados por combustíveis de baixa qualidade. O orçamento ficou em R$2.500 - lamentou Rita, que acabou pagando R$900 em outra oficina.
Parceria permite processo por crime ambiental
O superintendente da ANP destacou a importância da ação de fiscalização conjunta com órgãos do estado no combate à sonegação e à adulteração de combustíveis. Com a participação da Secretaria do Ambiente, segundo Paranhos, em caso de se constatar um crime ambiental, o posto sofrerá um processo criminal e poderá ter sua licença de operação cassada.
- Com a parceria, vamos poder caracterizar não apenas sonegação fiscal e adulteração, mas também crime ambiental - disse Minc.
Segundo a ANP, a média nacional do álcool vendido fora das especificações é de 2,7%. Rondônia é caso mais grave, com 12,1%. O Estado do Rio está em quinto lugar, com 5,8% do álcool coletado fora das especificações.
COLABOROU Eduardo Sodré