Título: Europa eleva taxa e derruba bolsas
Autor: Duarte, Patrícia e Eloy, Patricia
Fonte: O Globo, 07/06/2007, Economia, p. 33

Investidor teme inflação e mercado cai até 2,4% na região. Bovespa recua 2%.

O temor dos investidores em relação à trajetória da inflação e dos juros nos EUA e na Europa levou ontem os mercados globais ao segundo dia consecutivo de perdas. No Brasil, a Bolsa fechou em queda e o dólar voltou a avançar em relação ao real. Após chegar a subir mais de 1%, a moeda americana fechou em alta de 0,26%, cotada a R$1,952 para venda. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuou 2,09%, acompanhando os mercados americanos. Os índices Dow Jones e S&P 500 caíram 0,95% e 0,89%, respectivamente. Já a bolsa eletrônica Nasdaq registrou desvalorização de 0,92%.

O mau humor começou na Europa. O Banco Central Europeu (BCE) elevou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, de 3,75% para 4% ao ano - o maior nível em quase seis anos -, devido ao temor de pressão inflacionária na região. A decisão derrubou as principais bolsas européias. Na França e na Inglaterra, as bolsas recuaram 1,66%. Na Alemanha, a queda atingiu 2,4%.

No fim da manhã, o governo americano reduziu suas projeções de crescimento econômico real de 2,9% para 2,3%, colocando o mercado em estado de alerta. Na véspera, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, já havia alertado sobre os riscos de uma inflação mais alta e de um crescimento mais baixo no país.

A pá de cal sobre uma eventual recuperação dos mercados foi o aumento do custo da mão-de-obra no setor não-agrícola, de 1,8% no primeiro trimestre, ante uma expectativa de 1,3%. O dado pode significar mais pressão inflacionária à vista, o que tende a retardar o início do ciclo de queda dos juros americanos. E, com taxas altas nos EUA, cai a atratividade dos ativos de países emergentes, como o Brasil.