Título: Advogado tenta desqualificar atos de Vavá
Autor: Carvalho, Jailton de
Fonte: O Globo, 11/06/2007, O País, p. 3
Sobrinho de Lula nega que seu pai tenha feito lobby para ajudar donos de caça-níqueis.
SÃO PAULO. Sem resposta a uma série de dúvidas e reforçando contradições, o criminalista Nelson Passos Alfonso, advogado de Genival Inácio da Silva (Vavá), deu sinais ontem de que pretende desqualificar intelectualmente seu cliente na estratégia de defendê-lo das acusações de que ele faria lobby junto a empresários de caça-níqueis e da construção. Alfonso declarou que Vavá não tem cultura nem instrução suficientes que o permitissem fazer este tipo de intervenção.
- Meu cliente não tem preparo para fazer lobby. Não tem condições para (executar) esses procedimentos, seja lobby, apresentações, credenciais. Posso afirmar que nunca fez, nunca recebeu nem nunca pediu favores desse tipo - disse Alfonso em entrevista de hora e meia, pouco após ter uma conversa reservada com Vavá em São Bernardo do Campo.
Indagado pelo GLOBO se a recordação, a todo instante, de que Vavá é um homem que "fez apenas o Mobral" seria estratégia de defesa, o advogado reagiu com rispidez:
- Não o estou desrespeitando, quero mostrar apenas a pessoa que ele é. É uma pessoa simples, uma pessoa de idade.
Segundo o advogado, Vavá - irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - é pessoa simples e de pouca compreensão. Ainda assim, o advogado confirmou uma conversa telefônica entre seu cliente e o ex-deputado Nilton Servo, considerado pela Polícia Federal chefe de uma quadrilha especializada em equipamentos de jogos. Nela, segundo as investigações, os dois negociariam máquinas caça-níqueis.
Equipamentos de "terraplanagem e geração de empregos"
Na versão de Alfonso, os dois, no telefonema, nunca discutiram máquinas para casas de bingo, mas a aquisição de equipamentos para "terraplanagem e geração de empregos". O advogado não soube, porém, explicar para quem nem para onde seriam fornecidos esses aparelhos.
- Só conversamos por uma hora. Foi conversa rápida, com a mulher perguntando, a filha perguntando... - disse Alfonso. Ao lado do advogado, o filho de Vavá, Edison Inácio da Silva, disse que o pai, ao ser flagrado em conversa telefônica dizendo que levaria adiante pedidos de empresários e empreiteiros, pode ter mentido:
- Tem, sim, a conversa em que ele pede relatório, mas ele pode estar mentindo ao dizer que levaria o assunto adiante, de modo a evitar que a conversa se estendesse.
Vavá foi orientado a não falar com jornalistas. O deputado e advogado criminalista Luiz Eduardo Greenhalgh tem dado a ele consultoria sobre como agir. Alfonso disse ainda que seu cliente não se lembra da conversa com alguém chamado Roberto, que lhe teria dito que Lula estaria irritado com as freqüentes idas a Brasília para apresentar pessoas em ministérios.
- Meu cliente não reconhece a voz desse Roberto e por isso não tem como identificá-lo. Mas garanto que ele (Vavá) nunca esteve em ministério algum -- disse o advogado, salientando que o irmão de Lula não lembra o teor da conversa.
Lula ainda não esteve com Vavá, diz sobrinho
Edison afirmou que o pai dele não esteve com Lula desde que as denúncias vieram à tona. O presidente passou o fim de semana em São Bernardo, descansando com a família, e seguiria ainda ontem para Brasília.
Sobre uma comissão de R$2 mil a R$3 mil que Vavá teria recebido de Nilton Servo, segundo a PF, Edison argumentou que se tratou de empréstimo "por amizade ou necessidade". Minutos depois, o filho de Vavá afirmou que seu pai foi uma vez a Brasília este ano, de avião e com despesas pagas por ele próprio. Segundo Edison, Vavá teria ido ao escritório de um advogado chamado Silvio, a pedido de um amigo. Mas não soube explicar o que seu pai foi tratar. Em outra conversa gravada pela PF, os nomes de Rafael e Sara Cristina aparecem acompanhando Vavá num encontro no ABC.
- Não conheço nenhum Rafael. Conhecemos uma pessoa que se chama Cristina, mas é uma amiga da família - declarou Edison.