Título: Advogado de Mônica denuncia ameaça
Autor: Aggege, Soraya
Fonte: O Globo, 11/06/2007, O País, p. 4

Pedro Calmon Filho vai à polícia pedir proteção para ele e sua cliente.

BRASÍLIA. O advogado Pedro Calmon Filho, que representa a jornalista Mônica Veloso, disse ontem que recebeu ameaça de morte na noite do último sábado. De acordo com ele, um homem entre 40 e 50 anos, com forte sotaque nordestino, ligou para seu celular e afirmou que, se ele e "aquela mulher" não parassem de falar, iriam aparecer com "a boca cheia de formiga".

Calmon, que registrou queixa no 10º Departamento de Polícia de Brasília no mesmo dia, diz que não há outra possibilidade, a não ser a de que tal pessoa referia-se a Mônica, que tem uma filha de três anos com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e acabara de dar uma entrevista à revista "Veja". Na reportagem, a jornalista diz que recebia pagamentos em dinheiro vivo do lobista da construtora Mendes Júnior, Cláudio Gontijo, como pensão que o senador daria para a filha.

Mônica já estaria fora de Brasília

O advogado disse ainda que tanto ele quanto sua cliente estão recebendo proteção da polícia. Mônica não estaria mais em Brasília, mas ele não informou para onde ela teria ido. Calmon disse que quem fez a ameaça pode ser ligado ao senador.

- A conclusão é óbvia. Ela (Mônica) é a única cliente que eu tenho que poderia receber essas ameaças...

O advogado afirmou ainda que encaminhará ofício à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) por conta da ameaça. Ele alega que está sendo intimidado de várias maneiras e argumenta que Mônica é apenas "testemunha" de um fato.

A jornalista, na entrevista à "Veja", nega a versão do lobista Cláudio Gontijo, de que os pagamentos da pensão da sua filha eram feitos por meio de depósitos bancários. Segundo ela, eram sempre em dinheiro. Mônica disse ainda que os R$100 mil que recebeu de Calheiros não eram parte de um fundo para garantir a educação da filha, como afirmou o senador.

A quantia, segundo ela, seria parte de um acordo de maio de 2006 para cobrir a diferença entre o que ela recebia até novembro de 2005 (R$12 mil mensais) e o novo acerto, de R$3 mil, descontados do salário de senador de Renan.