Título: Vavá diz não reconhecer voz de Frei Chico, que é internado
Autor: Freire, Flávio
Fonte: O Globo, 13/06/2007, O País, p. 3
Irmão de Lula tem seu sigilo fiscal e bancário quebrado pela Justiça Federal de Mato Grosso do Sul.
SÃO PAULO, CAMPO GRANDE e BRASÍLIA. Após admitir ter advertido, por telefone, Genival Inácio da Silva, o Vavá, sobre suas idas a Brasília para supostamente negociar interesses de empresários e donos de caça-níqueis, José Ferreira da Silva, o Frei Chico, também irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi internado para realizar exames cardiológicos no Instituto do Coração (Incor), em São Paulo. Nos últimos anos, Frei Chico sofreu três infartos. Frei Chico admitiu que é dele a voz no telefonema gravado pela Polícia Federal, em que ele adverte Vavá a não fazer lobby. Vavá, no entanto, informou ontem que não reconhece a voz do irmão no telefonema.
Além das 85 pessoas investigadas na Operação Xeque-Mate e que tiveram suas prisões temporárias decretadas, Vavá teve seu sigilo bancário e fiscal quebrado pela Justiça Federal em Mato Grosso do Sul, a pedido da Polícia Federal. Nessa lista, estão o petista Dario Morelli, compadre de Lula, e o ex-deputado Nilton Servo, apontado como chefe da organização investigada.
Frei Chico foi internado depois de confirmar à TV Globo que telefonou para Vavá em 20 de maio deste ano. Na conversa, interceptada pela Polícia Federal, Frei Chico diz que Lula estaria irritado com a possível intervenção de Vavá em órgãos do governo. O advogado de Frei Chico, Iberê Bandeira de Melo Filho, disse que seu cliente ouviu, em Brasília, boatos de que seu irmão apresentaria pessoas em ministérios:
- Ele estava em Brasília, onde ouviu o boato de que uma revista publicaria algo sobre o Vavá, que seria a apresentação de pessoas a ministros, coisa que o Frei Chico não acredita que o Vavá faça. Então, ao chegar a São Paulo, ele telefonou para o irmão (Vavá) para levá-lo ao presidente dentro de alguns dias. Primeiro, porque o Vavá ia fazer uma cirurgia e, segundo, para conversar sobre isso, porque o Vavá não é político. Frei Chico tem formação, foi do Partidão (PCB). O Vavá é aposentado, não tem a visão política.
Frei Chico recebeu alta ontem às 18h. Ele é paciente do cardiologista Roberto Kalil, médico que também atende o presidente Lula. Sobre boatos que estariam circulando em Brasília, Bandeira de Melo disse que não tem detalhes.
- Alguém diz: "Olha, cuidado que o seu irmão vai entrar em uma fria". E quem fala isso é um amigo, um conhecido - disse o advogado.
Bandeira de Melo disse que Frei Chico tentou marcar um encontro entre os três irmãos (ele, Vavá e Lula) para discutir a denúncia de que Vavá estaria intermediando encontros em gabinetes ministeriais.
- Foi iniciativa dele (Frei Chico) mesmo (o encontro). Ele ouviu o boato e ficou preocupado, quis preservar o irmão mais velho, e, como existe uma deferência dele para com o presidente, achou que o melhor caminho seria uma conversa entre os três - disse o advogado.
Ao advogado, Frei Chico explicou por que a PF achou que Vavá, no telefonema gravado, conversaria com alguém chamado Roberto.
- Suponho que seja uma brincadeira familiar, porque o Frei Chico foi do Partidão e foi clandestino muito tempo, e usava o codinome de Roberto por brincadeira.
COLABOROU Jailton de Carvalho