Título: Gasto fiscal sem melhorar competitividade
Autor: Beck, Martha
Fonte: O Globo, 13/06/2007, Economia, p. 21

As medidas anunciadas ontem pelo governo para atenuar o impacto da valorização do real frente ao dólar foram consideradas insuficientes por especialistas. O argumento é que as ações, embora bem-vindas, deveriam contemplar todos os setores da indústria e não apenas os mais sensíveis ao câmbio, como o têxtil e o de calçados.

- São medidas que vão mitigar os problemas apenas a curto prazo. Não são a melhor prática de política econômica, que seria o favorecimento de todos os setores. Além disso, têm forte impacto fiscal, com aumento nos gastos em um momento onde existem grandes demandas sociais - disse o analista sênior do BES Investimento, Fábio Knijnik, que defende o treinamento dos empregados das empresas beneficiadas para que eles se adaptem a outros setores da economia.

Para Alexandre Espírito Santo, sócio da Avanti Gestão de Recursos, as medidas não têm caráter de longo prazo e são apenas subsídios:

- Foram anunciadas ações paliativas, que não vão solucionar o problema a longo prazo. Esperávamos incentivos ao aumento da competitividade desses setores, em vez de simplesmente socorrê-los. Isso não é política econômica, mas ceder a pressões de determinados setores. (Mirelle de França)