Título: 'Lista é golpe contra o povo', diz Madeira
Autor: Braga, Isabel e Franco, Ilimar
Fonte: O Globo, 14/06/2007, O País, p. 8

PMDB também se dividiu, mas líder do partido defendeu o projeto.

BRASÍLIA. No início da noite de ontem, os efeitos da decisão dos tucanos e de rebeldes petistas - reforçando o movimento de partidos como PP, PR, PTB, PSB e PDT - mostraram o primeiro resultado e imprimiram a primeira derrota ao favoráveis à adoção da lista fechada de candidatos. Para tentar garantir a votação ainda ontem, um requerimento tentou encerrar a discussão da reforma, mas com a situação invertida, foi derrotado por 245 votos a 194 (4 abstenções).

- Este é um sinal de que o plenário quer debater mais a reforma e que não há tanto apoio assim à lista preordenada, que é um golpe contra o povo - comemorou o vice-líder do PSDB, Arnaldo Madeira (SP).

No PMDB, uma votação interna com 81 dos 92 deputados, mostrou o apoio de 54 à lista preordenada de candidatos. Com base nesta decisão, o líder Henrique Eduardo Alves (RN) anunciou que encaminharia favoravelmente ao projeto. Os peemedebistas contrários à lista, no entanto, como Leonardo Picciani (RJ), tentaram obstruir a votação desde cedo.

- Passei o dia recebendo mais de 300 telefonemas de prefeitos e vereadores goianos reclamando. Se fosse aprovado, antes de chegar no Senado já teria ação da Força Sindical no Supremo para derrubar - contou o líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO).

Relator recebeu mais de 250 emendas à proposta

O líder do PSB na Câmara, Márcio França (SP), disse que a proposta de lista fechada tinha perdido apoio. E contou que no início da noite, o DEM já admitia mudanças na lista original.

O encerramento da discussão cessaria a apresentação de emendas (havia mais de 250 até a noite de ontem) e permitiria a votação. Logo depois da derrota do requerimento, os líderes partidários tentaram encontrar uma saída para o impasse. E decidiram adiar a votação para a próxima semana.

O texto da reforma que está sendo votado é um projeto de lei, ou seja, exige maioria simples para ser aprovado - quórum de pelo menos 257 deputados e aprovação da maioria dos presentes - e votação em apenas um turno. Poderia ser aprovado em votação simbólica, mas como o tema é polêmico, o acordo feito prevê a votação fatiada. Só depois de concluída totalmente a votação na Câmara, o texto será remetido ao Senado. Se alterado pelos senadores, voltará à Casa.