Título: Dividida, Câmara adia a reforma política
Autor: Braga, Isabel e Franco, Ilimar
Fonte: O Globo, 14/06/2007, O País, p. 8

PSDB muda de posição sobre voto em lista e petistas se rebelam contra direção; votação fica para a semana que vem.

BRASÍLIA. Os defensores da votação em lista fechada de candidatos às eleições proporcionais sofreram ontem duro revés, com o adiamento da votação da reforma política para a semana que vem. O PSDB, que vinha apoiando a proposta, mudou de posição depois que a maioria de sua bancada manifestou-se veementemente contra. O PT, cuja executiva impôs à bancada o voto favorável à lista, dividiu-se, e um grupo de 30 deputados se rebelou e comunicou ao líder Luiz Sérgio (RJ) que não acompanharia a decisão.

O enfraquecimento dos apoios e a reação contrária da opinião pública à mudança, que tira do eleitor o direito de escolher seu candidato, pode inviabilizar toda a reforma, já que a lista preordenada é considerada imprescindível para a aprovação de outros pontos, como o financiamento público de campanhas.

"Foi uma puxada de tapete do PSDB", diz Caiado

Os movimentos dos dissidentes petistas e o fechamento de questão contra a lista pelo PSDB forçaram as cúpulas de PT, PMDB e DEM a manobrar para evitar a derrota e, no início da noite, propuseram o adiamento da votação. Com o risco de derrota, o relator da reforma, deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), pediu 24 horas para tentar recompor o combalido apoio à votação em lista.

- Foi uma puxada de tapete do PSDB. A retirada de apoio alterou, sem dúvida nenhuma o resultado. A posição do PSDB surpreendeu e compromete. Não podemos esconder isso. É como estar a 100 quilômetros por hora e encontrar um quebra molas - lamentou Caiado.

Durante todo o dia o plenário dedicou-se ao debate acirrado sobre a reforma política e a lista fechada de candidatos. Os deputados contrários à norma fizeram contestações enfáticas ao microfone e tentaram obstruir as votações. Um dos mais atuantes foi o líder do PDT, Miro Teixeira (RJ), que à noite comemorava o desfecho:

- Conseguimos sair de uma posição desfavorável e viramos o jogo. Eles não vão desistir, mas vão voltar mais fracos.

No fim da manhã, os contrários à lista tentaram suspender a discussão, mas foram derrotados. Por 244 votos a 99 (10 abstenções), a reforma continuou a ser debatida. O clima favorável à lista fechada começou a mudar no início da tarde. Os tucanos, que anteontem estavam divididos, mas tendiam a apoiar a lista de candidatos, em reunião de bancada mudaram de posição. O líder Antônio Pannunzio (SP) saiu derrotado.

- Na verdade, 50,8% do partido eram a favor da lista e isso não é maioria. Além disso nosso programa fala em voto distrital misto - justificou.

Além dos tucanos, petistas liderados por Cândido Vaccarezza (SP) também se rebelaram contra a decisão da Executiva Nacional de impor o fechamento de questão a favor da lista. Contrários à mudança, um grupo de 30 deputados entrou com recurso no Diretório Nacional.

- A lista retira do eleitor a decisão sobre o voto e dá aos atuais deputados uma quase prorrogação de mandato - argumentou o deputado Paulo Teixeira (SP).