Título: Ministra sugere 'relaxar e gozar' no caos aéreo
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Fonte: O Globo, 14/06/2007, Economia, p. 32
Lançamento do Plano Nacional de Turismo foi marcado por piadas. Lula recomenda largar o "cuecão" para viajar
BRASÍLIA. O objetivo era lançar oficialmente o programa para estimular o turismo com crédito consignado (desconto em folha). Mas o que se viu foi uma sucessão de frases de gosto duvidoso e até uma retratação das autoridades. A ministra do Turismo, Marta Suplicy, por exemplo, ao ser perguntada por jornalistas sobre o que recomenda a quem viaja e enfrenta atrasos e caos nos aeroportos, respondeu:
- Relaxa e goza. Depois a gente esquece os transtornos.
Horas depois da declaração, Marta - que era sexóloga e, nos anos 80, ganhou fama falando de sexo no programa "TV Mulher" - pediu, em nota, "desculpas aos turistas pela frase infeliz". Disse que não teve intenção de minimizar ou desdenhar dos transtornos e que ela própria passa por situações difíceis nos aeroportos. "Minha intenção foi dizer aos jornalistas e à população que viajar vale a pena, mesmo que os problemas nos aeroportos demorem um pouco mais, apesar de todo o empenho do governo federal para agilizar as soluções".
Lula: "sair de casa é um estado de espírito"
Um pouco antes, o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu um jeito todo especial de estimular o turismo. Ele recomendou, em discurso:
- Sair de casa é efetivamente um estado de espírito. Tem que estar com humor, a mulher tem que acordar: "Amorzinho, vamos, amorzinho". Porque se ela começar xingando, o marido já não vai. Já bota o cuecão, fica deitado ali mesmo e não sai.
Em seu discurso, entre citações de números do setor e louvação a feitos de seu governo, Lula arrancou risos da platéia. No início da cerimônia, ao pegar um copo d"água oferecido pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, Lula deixou-o cair, derrubando água em seu terno. Na tribuna, brincou:
- Vocês viram que o Chinaglia quebrou um copo em mim, numa tentativa de violência sem precedentes. Tô todo molhado.
Ao governador da Bahia, Jaques Wagner, depois de lembrar que o maestro Heitor Villa-Lobos vendeu uma biblioteca do pai para viajar pelo país, Lula sugeriu:
- Você não terá de vender sua biblioteca: faz um crédito consignado e pode fazer uma viagem, porque você já está próximo da terceira idade.
Ao falar da primeira vez que viajou de avião, na década de 70, disse que teve medo e não aceitou a comida e a bebida - "naquele tempo tinha tacinha de champanhe, nada de plástico" - oferecidas.
- Tudo que a aeromoça ofereceu eu não quis, com medo de vomitar - revelou.
Dirigindo-se à governadora Ana Júlia Carepa, do Pará, Lula disse que turista não gosta de favela nem de palafitas, mas de monumentos históricos, museus e bons restaurantes:
- Quando tiver o turismo ideológico, aí nós fazemos um pouco das desgraceiras que eles gostam de ver.
Em um dos momentos sérios, Lula criticou a imprensa pelas más notícias publicadas:
- Qual é o estado de espírito que um cidadão tem para se levantar do sofá numa sexta-feira, comprar uma passagem e viajar? O que a gente vê de bonito na imprensa brasileira? Quais são as mensagens que nos provocam a viajar? Não tem.