Título: Ministro considera decepcionante leilão de energia de fonte alternativa
Autor: Tavares, Mônica
Fonte: O Globo, 19/06/2007, Economia, p. 22
Para Nelson Hubner, oferta foi baixa. Negócios alcançaram R$4,1 bilhões.
BRASÍLIA. O ministro de Minas e Energia, Nelson Hubner, considerou decepcionante o resultado do 1º Leilão de Compra de Energia Proveniente de Fontes Alternativas, realizado ontem pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A energia negociada no processo foi equivalente a 186 megawatts (MW) médios, o que representou um volume de R$4,189 bilhões, com preço final médio de R$137,32 por megawatt/hora (MWh) - considerando fontes de usinas termelétricas movidas a biomassa e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).
- A oferta, sobretudo da biomassa, foi uma decepção. Foi muito baixa se comparada à capacidade de produção que essas usinas possuem. Se os volumes permanecerem pequenos, não valerá a pena realizar leilões específicos para esse segmento - disse o ministro.
Hubner acenou ainda com a possibilidade da realização, em separado, de um leilão de energia eólica, em razão do preço desse tipo de fonte energética ser mais elevado. No Programa de Incentivo de Fontes Alternativas (Proinfa), o preço está cotado a R$200 o MWh, enquanto o da energia no leilão realizado ontem ficou abaixo de R$140 o MWh.
Com o pregão, o Sistema Interligado Nacional (SIN) contará com mais 638,64MWs a partir de 2010, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Desse total, 541,9MWs, ou 75%, são de termelétricas movidas a biomassa e 96,74MWs (15%), de PCHs.
Os 186MWs médios negociados no leilão são energia suficiente para atender a mais de 742 mil unidades consumidoras em 233 municípios do Piauí, que são abastecidos pela Cepisa, segundo a Aneel.
Sem gás boliviano, usina de Cuiabá continua parada
Na próxima segunda-feira, as empresas vencedoras do leilão deverão apresentar os documentos de habilitação jurídica, econômico-financeira e de comprovação de regularidade fiscal. Serão assinados Contratos de Compra de Energia Elétrica no Ambiente Regulado, que terão duração de 30 anos para PCHs e de 15 anos para termelétricas de biomassa. Participaram da licitação, realizada via internet, 38 empresas vendedoras, sendo 19 PCHs e 19 termelétricas; e 17 compradoras (distribuidoras).
A termelétrica de Cuiabá, que gera 40% da energia elétrica produzida no estado de Mato Grosso, permaneceu paralisada ontem por problemas de abastecimento de gás natural da Bolívia. Desde o fim de semana, os bolivianos estão enviando apenas 600 mil metros cúbicos de gás por dia, insuficientes para manter as turbinas funcionando. A termelétrica recebe normalmente 1,2 milhão de metros cúbicos por dia.