Título: Meta de inflação divide segmentos do governo
Autor: Rodrigues, Lino e D'Eecole, Ronaldo
Fonte: O Globo, 19/06/2007, Economia, p. 24

Ministério do Planejamento e Banco Central querem reduzir índice, mas Fazenda é contra.

BRASÍLIA. A pouco mais de uma semana da reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), quando será decidida a meta de inflação para 2009, a equipe econômica ainda não está alinhada. De um lado, estão o Banco Central (BC) e o Ministério do Planejamento, que defendem redução do centro da meta -- hoje em 4,5% pelo IPCA (nos bastidores, fala-se em estabelecer novo foco de 4%) -, e, do outro lado, está o Ministério da Fazenda, que não quer alteração no momento.

A meta de inflação é um regime adotado por diversos países e tem o objetivo de controlar e evitar a escalada de preços. Para tanto, o instrumento mais utilizado é a política de juros, comandada normalmente pelos bancos centrais locais. Calibrando a taxa de juros básica de cada mercado, é possível estimular ou, ao contrário, segurar o consumo interno, uma vez que as linhas de crédito podem ficar mais ou menos caras. Assim, o nível de produção e, conseqüentemente, de preços, acaba se ajustando à realidade imposta.

Os representantes do BC no Brasil vêm dando sinais de que a meta atual está muito alta há mais de um ano. Em audiência no Congresso, o presidente do BC, Henrique Meirelles, revelou que, de 15 países que adotam o mesmo regime, apenas dois tinham o patamar maior do que o do Brasil em 2006: Turquia, com 5%, e África do Sul, entre 3% e 6%. No mesmo período, o centro da meta brasileira foi de 4,5%, sendo que, para os demais, foi de 2% a 3%, em média. Meirelles tem o apoio do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Já o Ministério da Fazenda, sob o comando de Guido Mantega, quer o crescimento econômico mais acelerado e, por isso, é contra mudar a meta. Isso abriria espaço, pelo menos teoricamente, para mais cortes na taxa de juros básicos, hoje em 12% ao ano - a menor que o país já teve, mas ainda uma das mais altas do mundo.